Comportamentos agressivos na infância

por | ago 23, 2017 | 9 Comentários

A infância é um período de descobertas, em que tudo é novo! Nessa fase, os pequenos têm contato, pela primeira vez, com as diversas situações e sentimentos que irão vivenciar ao longo da vida. Raiva, medo, insegurança, ciúme, inveja, tristeza, ansiedade, baixa autoestima… São muitas as sensações que as crianças descobrem em seus primeiros anos de vida e lidar com tudo isso nem sempre é uma tarefa fácil. Com a ajuda da família e muito diálogo, enfrentar essas situações pode ser um pouco mais simples. No entanto, caso não haja atenção e acompanhamento devidos por parte dos pais ou, até mesmo, em decorrência da própria personalidade da criança, situações de estresse podem resultar em comportamentos agressivos na infância. Vamos falar sobre isso?

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Morder, bater e xingar: quando devemos nos preocupar?

Até uma certa idade é comum que as crianças manifestem comportamentos como morder, gritar e bater. Isso acontece porque os pequenos ainda não sabem se comunicar efetivamente através da fala e precisam se utilizar disso para expressar suas necessidades e desejos. Segundo Sarah Helena, psicóloga e curadora da Leiturinha, “é importante saber que esse tipo de comportamento nem sempre significa agressividade. Como no início da vida as crianças experimentam tudo com o corpo todo, e, principalmente pela boca, elas podem morder, apertar, bater, para simplesmente interagir e experimentar o mundo a sua volta”.

Conforme a criança cresce, aprende a falar, a expressar suas vontades de maneira mais eficiente e compreende o que é certo e errado, é fundamental que os pais expliquem que determinados comportamentos não são legais e que podem, inclusive, magoar ou machucar outras pessoas. Para a psicóloga, “os pais devem se preocupar quando perceberem que as crianças já entendem o que fazem e, mesmo repreendidas, insistem no comportamento agressivo”. Nesse caso, se mostrar presente, conversando e orientando a criança agressiva é essencial para que ela reflita sobre sua atitude, “a melhor maneira de lidar com a agressividade é se aproximar da criança” afirma Sarah.

Escola e família: um trabalho em conjunto

Caso o seu pequeno esteja praticando ou sofrendo agressão no ambiente escolar é essencial que isso seja reportado e conversado com a escola a fim de que, juntos, encontrem a melhor maneira de resolver essa questão. Assim como em tantas outras situações complicadas da infância, lidar com o comportamento agressivo da criança se torna mais fácil quando escola e família atuam em conjunto. Pais e educadores devem trabalhar juntos para que as crianças cresçam mais compreensivas e empáticas. Conversar sobre o respeito ao próximo e realizar atividades com essa temática são atitudes fundamentais na educação de crianças mais tolerantes. A psicóloga Sarah ressalta que as brincadeiras também podem ser um poderoso recurso para que as crianças compreendam melhor seus comportamentos, pensamentos e sentimentos, além de ser uma boa alternativa para ensinar a criança a se colocar no lugar do outro e repensar seu comportamento.

Leia também: Meu filho vai mudar de escola. E agora?

Porém, se o seu filho é quem sofre a agressão, lembre-se que a criança que pratica também sofre com essa situação. Por isso, realizar um diálogo com os pais da criança é fundamental para que o pequeno seja orientado e acompanhado pela família de maneira adequada. Outro ponto importante é ensinar seu filho a se defender, o que não quer dizer revidar. Incentivar comportamentos agressivos não é a melhor opção. Converse com seu pequeno e escute o que ele tem a dizer, mostre que ele pode confiar em você, explique que determinados comportamentos dos colegas não são aceitáveis e o estimule a dizer o que o incomoda e o magoa. Assim, com o tempo, ele vai aprendendo a se impor.

A literatura também pode ajudara lidar com criança agressiva  

Por se adequar ao imaginário das crianças e se utilizar de uma linguagem simples, a literatura infantil possibilita que os pequenos se identifiquem com as situações da história e reflitam sobre seus próprios comportamentos, abrindo espaço para o diálogo.

Segundo a psicóloga Sarah, as crianças, muitas vezes, são agressivas porque não conseguem expressar de outra maneira sentimentos como raiva, mágoa e ciúmes. Nesse caso, os personagens das histórias podem contribuir para que a criança entre em contato com esses sentimentos de forma leve e indireta, “a partir dos livros é possível dialogar com os pequenos sobre as possibilidades de extravasar os sentimentos agressivos sem precisar ferir o outro” afirma a psicóloga.

Dica Leiturinha:

a raiva

A raiva

Editora: Pequena Zahar
Autor e ilustrador: Blandina Franco

Quem é que já sentiu raiva? Pode ser uma raivinha à toa, que mesmo sem razão de ser, começa a se alimentar das pequenas coisas. Esta é história de um sentimento que vai crescendo, crescendo, crescendo até explodir e dar muito trabalho para arrumar! Uma ótima oportunidade para conversar sobre emoções e explorar a inteligência afetiva do seu pequeno.

Leia também: A Comunicação Não Violenta ajudando na relação entre pais e filhos

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0 - 3 | 4 - 6 | Comportamento | Criança | Idade
Escrito por Ana Clara Oliveira
Jornalista e editora do Blog da Leiturinha, é fascinada por tudo que envolve o mundo da leitura, da educação e da infância. Acredita que as palavras aproximam pessoas, libertam a imaginação e modificam realidades. Gosta de escrever, viajar e aprender sempre.
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9 Comentários

  1. Avatar

    Boa noite!
    Gostei muito do artigo! Minha filha tem um comportamento agressivo com alguns coleguinhas e gostaria de saber quais brincadeiras citadas no artigo posso explorar com ela…
    Muito obrigada!

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  2. Avatar

    Olá me gostei do artigo. Tenho um filho de 2 anos e 4 meses que sempre que é contrariado reage com tapas e até socos em mim, que sou a mãe. Ta muito difícil pra mim. Pois já expliquei, já fiz cantinho da disciplina, ele parece entender e depois repete tudo novamente, e muitas vezes com prazer…sinto isso. Me ajudem. O que posso fazer?

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  3. Avatar

    Cuido de una criança autista que quando contrariada bate, chuta e até quando não é contrariada quer bater e quando você conversa com ele ele dar 20segundos e volta a te bater de novo dando risada gargalhando as vzs(falei pros pais que acho que ele acha que é uma brincadeira), porem existe a possibilidade de ele ser tbm psicopata ou ter algum outro tipo de transtorno? O que fazer para ajudar ele?

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  4. Avatar

    Stefany , psicopatia ( na realidade transtorno de personalidade antissocial) é um transtorno de personalidade que só se cristaliza na idade adulta, e tem a ver com a forma psíquica de funcionar daquele individuo. O ideal é falar com os responsáveis para que busquem ajuda de um profissional e se observe o quadro completo, já que , segundo você, já há um autismo diagnosticado.

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    Gostaria de mais dicas sobre livros que falam sobre agressividade para trabalhar na educação infantil.

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  6. Avatar

    boa tarde pessoal , estou gravida de 5 meses e tenho um criança de 2 anos e 11 meses, tenho notado que tem exatamente uns 30 dias que ele vem dia apos dia mudando um comportamento , um dia choroso, outro super carinhoso, ai do nada fica nervoso, e agressivo , esta andando sem apetite, nao sei mais o que pensar preciso muito de ajuda , para saber lidar com essa situação, tenho medo de esta falhando como mae.

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  7. Avatar

    Boa noite.
    Tenho um filho de 2 anos e 9 meses, que quando está Pravo,ou contrariado dá tapas e soquinhos em mim que sou a mãe dele, converso sempre que ele está errado, que machucou a mãe, seguro firme a mão dele e digo bem firme; isso não pode vc me machucou eu ti amo mas, não aceito o que vc fez….isso sempre se repete! O que devo fazer? É hora de procurar um profissional e qual melhor pra idade dele?

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  8. Avatar

    Cuido de uma criança de 5 anos , que a mesma possui um comportamento muito agressivo , ele bate muito na sua irmã de 7 anos, inventa mentiras com uma facilidade , se deixar ele maltrata os animais da casa dele ,sem um pingo de remorso, gosta de coisas de terror , e não tem medo . O mesmo tem uma capacidade de manipulação inigualável , para uma criança de 5 anos , a mãe dele já chegou a passar ele no psicólogo , porém a mesma disse que ele não tem problema algum .

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  9. Avatar

    Olá mamães.
    Tenho um filho de 2 anos e 6 meses ,que sempre foi muito bonzinho .
    Porém de 1 ano para cá, ele tem se comportado completamente diferente.
    Sempre vem bilhetinhos da escola ,que mordeu. Em casa está sempre nos batendo do nada ,se joga ,jogando as coisas. Evito de sair com ele ,pq sempre faz birras e se joga no chão ,pois as vezes não tenho condições de comprar o que vê e também não gosto de fazer todas as vontades. Todos falam que é apenas uma fase ,mais de verdade eu estou tão cansada . Sinto vontades de levá lo para passear, igual vejo outras crianças, mais mesmo conversando muito ele não para.
    Amo meu filho mais que tudo e sofro muito com isso.

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