Tenho certeza que você já viu essa cena: a mãe ou o pai coloca o bebê no colo de uma outra pessoa e pronto… ele começa a chorar.

Ou então, os pais têm um compromisso e precisam deixar a criança com alguém… ela não quer ir e é aquele escândalo na porta da casa.

É muito comum que os bebês e as crianças menores não lidem bem com pessoas diferentes e não queiram se afastar dos pais ou de outras figuras de referência. Frequentemente eles choram, demonstram insegurança, medo e preocupações, que podem estar relacionadas à fantasia de que os pais não retornem.

Essa situação gera na criança a ansiedade de separação e, mesmo as situações cotidianas, como ir para a escola ou a hora de dormir, podem se tornar uma grande dificuldade para a família.

Isso é esperado?

Com certeza! A ansiedade de separação faz parte do desenvolvimento infantil e é comum em crianças pequenas. Esse quadro pode aparecer mesmo nas famílias onde os vínculos afetivos são bem estruturados e os pais são participativos, presentes e amorosos, pois a criança sente-se insegura e desprotegida sem a presença deles.

Geralmente, por volta dos 2 anos de idade, os sintomas tendem a diminuir, até desaparecerem por completo. No entanto, é importante lembrar que cada criança é única e precisa ter seu tempo de adaptação respeitado.

Além disso, situações inesperadas e específicas podem desencadear a ansiedade de separação, como uma perda recente, a chegada de um novo bebê, mudanças de casa, de escola ou de cidade, e estas precisam ser observadas com atenção.

O que fazer diante da ansiedade de separação?

Algumas dicas podem ajudar nessa situação:

1 – Com os bebês, brincadeiras de esconder podem ser interessantes. A mãe ou o pai sai do campo de visão do filho, e em seguida retorna, mostrando que existe a ausência, mas também o retorno.

2 – Não saia escondido. Conte para a criança que precisa sair e, na medida do possível, explique o motivo e o horário volta, lembrando sempre que imprevistos acontecem.

3 – Não tenha medo de sair. Os pais não devem reforçar o comportamento da criança evitando a separação ou recompensando e ausência de alguma forma (por exemplo: deixar que ela durma na cama dos pais, deixar que falte à escola, levá-la junto em todos os compromissos).

4 – Seja natural nos momentos de despedida, com atitudes positivas. Quando os pais estão tranquilos, a criança tem mais facilidade de entender a separação. Se os pais demonstram culpa, tristeza ou dificuldades para se despedir, o filho normalmente encara a situação como algo ruim. Lembre-se que os pais são os modelos das crianças.

5 – Ajude a criança a pensar em coisas legais que irá fazer durante esse tempo. Atividades na escola, brincadeiras com os amigos, passeio com os tios ou avós.

6 – Não repreenda o choro. A criança normalmente não consegue entender seus sentimentos, e o choro é a forma que encontra para se expressar.

E se essa fase não passar?

É esperado que ao longo do tempo, com o crescimento e amadurecimento, a ansiedade de separação diminua, pois a criança já é capaz de entender o que ela significa.

No entanto, se o quadro não regredir, é importante procurar ajuda e buscar uma avaliação psicológica. A ansiedade de separação além de causar sofrimento, pode ser um fator de risco para o desenvolvimento de outros transtornos de ansiedade e para depressão (em casos mais severos) na vida adulta.

O tratamento adequado irá auxiliar a criança a lidar com as emoções e trará muitos benefícios para ela e toda a família.

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Profile photo of Flávia Carnielli

Mãe da Maria Clara, mestre em psicologia clínica, especialista em psicologia perinatal e formada em psicoterapia infantil. Carinhosamente, contribui com seu conhecimento aqui no Blog, à convite da Leiturinha.