Descobrindo a maternidade: quando nasce um bebê, nasce uma mãe

por | jan 4, 2019 | 3 Comentários

Atuo na curadoria e criação de conteúdo na PlayKids mas, por hora, durante minha licença-maternidade, cuido do meu mais novo amor – o Caetano, que está com três meses. Como tenho uma mente inquieta e dedos flamejantes, decidi compartilhar, entre mamadas e trocas de fraldas, um pouco da nossa nova vida. Aqui vou falar um pouco sobre como estamos vivendo esses primeiros meses e como estamos passando por isso, entre erros e acertos, da melhor forma possível.

Como se tornar uma montanha (ou como aprender a ser mãe)

Entre tantas mães e maternidades mais ou menos bem sucedidas, entre tantas e tantas, na imensidão de filhos bem criados, certamente existiria um sucesso para nós. Mas o que aprendi nesse primeiro mês é que no fundo, dentro de todas as casas de recém-paridas – com suas vivências únicas, insignificantes pelos dias, singulares nos seus sofrimentos – estamos todas unidas pelo sentimento gigante e pelo peso enorme que é existir por um indivíduo, ocupando um lugar na enorme fila de busca por respostas para, enfim, aprender um pouco sobre o que é ser uma boa mãe.

Mas se você está neste momento, não se preocupe com isso agora. Os pediatras poderão dizer que o certo é falar com bebê no momento da troca das fraldas ou do banho. Mas, aqui entre nós, eu sei bem como isso é difícil. É como pedirem para cantar durante uma prova da autoescola. Também não se preocupe com isso, você não é menos mãe por isso e, muito menos, seu bebê irá sair na desvantagem. Tudo irá acontecer naturalmente e quando você menos esperar, lá estará você batendo um papo com seu novo melhor amigo. O resto também irá acontecer, consequentemente. Cantar e ler para ele, tocá-lo, massageá-lo. Não há dúvidas de que isso é extremamente benéfico para o desenvolvimento do seu bebê, mas não há pressa para que isso aconteça, pois tudo só deverá acontecer quando for natural e confortável para você e o bebê.

Choro de fome, choro de medo, choro de dor, choro de mãe…

Chorar também ensina. Você conhece e ama seu bebê porque ele chora. E tudo bem você não saber de onde vem e para onde vai esse choro nos primeiros dias. É como uma língua estrangeira que você ouve pela primeira vez. Às vezes observar ajuda, às vezes você não tem tempo para isso. A verdade é que os outros tentam mais do que eu identificar  porque o bebê chora. Aqui, não existiu muito segredo na missão de saná-lo: colo, afeto, peito e proximidade. O que o bebê precisa é de você. Então, a melhor coisa a se fazer neste momento é colocá-lo embaixo do braço, ao alcance do peito para que ele possa beber do seu leite e do seu carinho à vontade. Não existe técnica, berço ou cueiro suficientemente capaz de acalmar seu filho além do seu colo. Cólica? Colo e, se rolar, leite materno. Insônia? Colo e sling (e se rolar, leite materno). A solução dos problemas comuns nesse primeiro mês estão nas glândulas mamárias, nos braços dos cuidadores, no carinho de boas-vindas do Planeta Terra.

Entre chegadas, partidas e o seu eu

Quando vi aquele pequeno bebê, de mãos tão pequenas e de tão imensurável importância, em meio a tantos outros bebês de também imensurável importância e de tamanho reduzido, não consegui não relacionar isso aos sentimentos vividos por todas nós que estamos aprendendo a nos tornar mães e deusas para esses pequenos e tão significantes seres. Estamos tão apegadas a eles que nos esquecemos que no meio de tudo isso existe uma partida tão lacerante. A nossa partida. Morremos e nascemos neste primeiro mês e nos tantos outros que (desejo) virão. As chegadas dos bebês são tão comemoradas, mas as nossas partidas são esquecidas e cabe a nós não deixarmos que elas sejam silenciadas por choros  e fraldas encharcadas. Nós iremos renascer. E isso só depende de nós.

Aqui foram 14 dias de choro inconsolável. Sem razão aparente (a não ser o medo obsessivo do bebê morrer), todo fim de tarde chorávamos muito, eu e Caetano. Os primeiros dias são muito complicados, mas a gente sobrevive e tudo vai melhorando. Seu bebê vai ficar bem e você também. O mais importante neste momento é ter com quem contar.

Um pai ou par para chamar de seu

Sem romantizar e, muito menos, desmoralizar, pai tem que ser pai e fim. Se ele cumprir essa função integralmente, ele será fundamental neste primeiro mês e não estará sendo bonzinho ou herói por exercer a função que é exclusiva dele. Ele te ajudará a amenizar a raiva, a dor e a insegurança de se tornar mãe. Também compartilhará as alegrias, claro. Cuidar, dar banho, ninar, acordar na madrugada, dar apoio emocional e físico (isso inclui abraços, pratos de comida e casa limpa). Isto porque o começo é difícil para todo mundo e, por mais que ele trabalhe, ele precisa se desdobrar para exercer sua mais nova paternidade. Se pouco mudou ou está sendo mais fácil para ele, ele não está fazendo isso direito.

Ah, e fica a dica, não se esqueça da mulher que você é. Ela vai mudar, mas seu nome não passará a ser mãe. Você ainda existe. Repita esse mantra diariamente. Mês que vem eu volto para dizer que tudo vai bem.

Leia também:

Escrito por Caroline Lara
Líder da Equipe de Curadoria da Leiturinha, é formada em Psicologia e mãe do Caetano. Leitora compulsiva, é apaixonada em provocar emoção, despertar a fantasia, entreter e alegrar pequenos através da literatura. Acredita que quanto menor nosso tamanho, maior a criatividade!
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3 Comentários

  1. Carol Borges

    Ah que lindo relato Carol!
    Puro e verdadeiro assim como vc.
    Parabéns pela sua essência tão encantadora.
    Tenho certeza que quando o Caetano crescer e ler tudo vai se orgulhar e se emocionar muito.
    Parabéns mãe do ano.

    Responder
  2. Aline

    Fico feliz por compartilhar desse sentimento e por te ver mãe e também por ser. Feliz, feliz! ♡

    Responder
  3. Fernando Esper

    Como dizia Vito Corleone: “Um homem que não se dedica à família, nunca será um homem de verdade”.

    Responder
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