Meu filho não quer comer. E agora?

Cada criança tem um desenvolvimento único e a maneira como vai reagir à introdução alimentar depende disso e de vários outros fatores, como as competências e habilidades do bebê, do estado emocional e do meio familiar no qual convive. Precisamos também lembrar que o corpo, tanto do bebê quanto do adulto, funciona por inteiro e relaciona as áreas sensoriais, motoras, motoras orais, comportamentais e de aprendizagem, entre outras. Portanto quando uma criança apresenta dificuldades na alimentação, pode ser que esteja enfrentando desafios em outras áreas também.

Algumas vezes, quando o bebê começa a apresentar problemas como seletividade ou dificuldade alimentar, os pais podem ficar com muitas dúvidas e até mesmo não saber a quem recorrer. Um diagnóstico precoce e orientação profissional especializada ajuda muito as famílias a lidarem com a situação. Em alguns casos, é indicado consultar mais de um profissional para o tratamento, como fonoaudiólogo, gastropediatra, nutricionista, terapeuta ocupacional e terapeuta para suporte emocional.

Como identificar que meu pequeno tem dificuldades na alimentação?

A Seletividade Alimentar se dá quando existe a diminuição da variedade de alimentos que a criança aceita. Neste caso:

– Geralmente a criança aceita 30 ou mais alimentos e pelo menos um de cada categoria.

– Resiste um pouco, mas até prova ou toca novos alimentos.

– Seleciona alguns alimentos para comer por alguns meses ou semanas.

– Consegue participar das refeições em família.

– Aceita novos alimentos depois de 20 ou 25 apresentações.

Já a Dificuldade Alimentar ou Seletividade Extrema acontece quando a variedade de alimentos é muito restrita. Na maioria dos casos em que a criança possui esse quadro, aceita menos de 20 tipos de alimentos. E neste caso:

– Não aceita determinadas categorias de alimentos, como legumes por exemplo, por causa da textura, sabor, aparência ou temperatura.

– Não aceita novos alimentos ou apresenta comportamento de fuga ou medo quando são apresentados.

– Não consegue comer a mesma refeição que a família, os alimentos precisam ser diferentes na maioria das vezes.

– Não aceita formas diferentes de apresentação dos alimentos que consome ou mesmo utensílios que utiliza.

– É preciso apresentar mais de 25 vezes novos alimentos para que sejam aceitos.

Como resolver?

Para reverter esse quadro é preciso muita paciência e atenção por parte dos pais para perceber e tratar as possíveis causas. Se os pais não compreendem a situação, dificilmente vão conseguir auxiliar seu bebê.

Identificar e promover estratégias para que a criança consiga passar por essa etapa naturalmente é uma boa alternativa. Tente incentivar a curiosidade por novos alimentos deixando que os pequenos vejam, interajam, toquem, cheirem, provem e comam, mas sempre respeitando seu tempo e analisando a reação. Algumas brincadeiras também são válidas, afinal, é assim que as crianças reconhecem e se relacionam com o mundo.

Meu filho come mal: o que fazer?

Uma alimentação saudável é fundamental para o crescimento e desenvolvimento dos pequenos. Bons hábitos alimentares contribuem para um melhor rendimento e para a maturidade física e psicológica da criança. Por isso, é muito importante que a família introduza, desde cedo, alimentos nutritivos e ricos em vitaminas na vida dos pequenos. Descubra como fazer isso com seu pequeno.

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Fonoaudióloga, mestre em processos e distúrbios da comunicação e especialista em motricidade orofacial. É consultora de amamentação e laserterapeuta. Carinhosamente, contribui com seu conhecimento no Blog, à convite da Leiturinha.