365 dias, 24 horas e 60 minutos: este é o tempo de dedicação de uma mãe ao seu filho. Mas a vida de uma mãe não se resume única e exclusivamente à rotina de cuidados com a cria. Somam-se ainda os afazeres domésticos e outras atividades fora do lar. No âmbito social, há diversos “papéis” a serem desempenhados: o de mulher, de esposa, de filha, de profissional, de amiga, de vizinha, entre outros. Além disso, a mãe deve lidar com as expectativas relacionadas à maternidade e ao romantismo idealizado durante a gestação. Que passam bem longe da realidade diária materna. É nesse contexto que muitas mães se veem em um estado de esgotamento materno. Mas o que isso significa? E como evitar?

Esgotamento materno, o mommy burnout

Muitas vezes, sem o apoio necessário, este cenário pode desencadear um estado de tensão emocional e estresse crônico provocados pela sobrecarga das tarefas e responsabilidades. É a “síndrome de burnout materno”. O termo “burnout”, numa acepção clínica, sugere um desgaste que danifica aspectos físicos e psicológicos.

No livro Mommy Burnout, a autora Sheryl Ziegler afirma que são altamente destrutivos o estresse e a carga de culpa que as mães carregam por não fazerem mais pelos seus filhos. Sobrecarregadas por inúmeras responsabilidades que parecem não ter fim, as mães vivem além de um limite tolerável de esgotamento. E se deparam com a sensação de fracasso, o isolamento, as dúvidas e a falta de um olhar cuidadoso a si própria, o que muitas vezes comprometem o relacionamento familiar.

Quais os sintomas do esgotamento materno? 

O desgaste e sensação de esgotamento são esperados diante da rotina materna. Entretanto, é importante observar e estar atenta a alguns sintomas, suas intensidades e constância. Os sintomas psicossomáticos aparecem como dores de cabeça frequentes, fadiga crônica, dores nas articulações, insônia e dificuldades gastrointestinais. Ainda, entre os sintomas emocionais estão a depressão, frustração, ansiedade, irritabilidade, que são acentuados por sentimentos de desamparo e desespero, dentre outros.

Cabe destacar que a síndrome de burnout materno pode se manifestar anos após o nascimento de um filho. Um dos fatores consideráveis, são de mulheres que vivem a experiência da maternidade sozinhas, sem o apoio que precisam. Em muitos casos, mesmo casadas e com a família por perto, a rede de suporte se apresenta ineficaz para a mãe.

Reconhecer e buscar ajuda também é cuidar de si

Acolher as expectativas e fantasias acerca da maternidade. Respeitar o seu tempo e possibilidades. Abraçar os seus limites e medos. Estar coerente com o seu modo de maternar, se compreender como protagonista do seu movimento materno e se aceitar como humana, passível de erros e acertos. Tudo isso contribui para o autoconhecimento da mãe nesse período. Porém, quando tudo parecer “pesado demais”, um espaço de fala pode ser bem-vindo, reconhecer e buscar ajuda também é cuidar de si.

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Profile photo of Juliana Di Lorenzo

Mãe da pequena Olívia e Psicóloga. Após vivenciar as transformações e vicissitudes da maternidade, escolheu por dedicar seus estudos e práticas à psicologia Perinatal e Parental. Atua no atendimento clínico e grupos terapêuticos, pois acredita nas possibilidades da fala e escuta compartilhada. * Juliana é nossa autora convidada e seus textos não refletem, necessariamente, a opinião do Blog Leiturinha.