Mães solo: mais empatia pelas mães que criam seus filhos sozinhas

por | nov 24, 2017 | 7 Comentários

Ô mãããe!

Dar banho, fazer o almoço, ir às reuniões da escola, ajudar na lição de casa, inventar brincadeiras, colocar para dormir, levar para a aula de inglês, arcar com as despesas da casa… Cuidar dos filhos não é moleza não, viu? Imagine, então, fazer tudo sozinha? É isso o que acontece em quase 40% dos lares no Brasil, onde a principal responsável pela criança é a mãe. De acordo com os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), hoje já são 57,3 milhões de famílias mantidas por mulheres, o que significa 38,7% das casas. Embora esse seja um dado relevante e uma situação comum em nosso país, mães que criam seus filhos sozinhas ainda enfrentam muitos desafios e preconceitos.

A vez das supermães

Com o objetivo de mudar a forma como são vistas pela sociedade, essas mulheres estão tomando, cada vez mais, as rédeas da situação, reivindicando respeito e mostrando sua importância na criação dos pequenos e na manutenção dos lares. Nesse contexto, surge o termo mãe solo, que contrapõe a expressão “mãe solteira”, trazendo em questão o fato de que ser mãe não tem nada a ver com o estado civil da mulher e que “mãe solteira” remete aos tempos em que ser mãe estava automaticamente vinculado ao fato de a mulher precisar estar casada, podendo soar de forma pejorativa.

Mas o que é ser “mãe solo”?

Ser mãe solo significa ser a principal responsável pela criança, seja financeiramente ou por disponibilidade de tempo. Ou seja, essa expressão não tem nada a ver com o estado civil da mulher, pois existem supermães que, apesar de casadas, são as principais ou até mesmo as únicas responsáveis pela educação dos pequenos.

Cada uma à sua maneira, essas mulheres se desdobram em duplas e, até, triplas jornadas para suprir todas as necessidades dos filhos. Da alimentação ao comportamento, são elas que se ocupam e se preocupam para que os pequenos cresçam da melhor maneira possível. Ainda assim, o sentimento de culpa as persegue. Seja porque acham que não são boas o suficiente ou porque recebem olhares e julgamentos alheios por criar os filhos sozinhas.

Mais empatia, por favor!

Seja na hora de fazer uma viagem, nas reuniões do colégio, nos encontros familiares, na hora de encontrar um emprego ou, até mesmo, um novo parceiro: encarar o preconceito, que muitas vezes, parte até mesmo da própria família, ainda é realidade de muitas mulheres. Uma sociedade que acolha as mamães solo e não feche os olhos para os casos de ausência do pai na criação dos filhos é o que precisamos! Devemos valorizar atitudes de pais que se interessam e participam da educação dos filhos, mas precisamos também apoiar e valorizar essas mamães que dão conta de tudo e mais um pouco, sozinhas, não é?

A maternidade não precisa ser algo solitário. Embora o trabalho duro, o empenho, o sentimento de culpa e, também, as recompensas sejam vividos intensamente pelas mamães, isso não impede que todos tentem fazer o exercício de se colocar no seu lugar, buscando julgar menos e ajudar mais. A palavra da vez é: EMPATIA.

Como diz um antigo provérbio africano, “é preciso uma aldeia para educar uma criança”. Seja você amiga(o), avó, avô, irmã(o), colega ou até desconhecido(a), sempre é possível ser solidário. Se você conhece uma mãe solo, saiba que há diversas formas de ajudá-la e apoiá-la para que seus dias sejam mais leves e coloridos. Ficar com o pequeno enquanto a mãe precisa sair ou levar e buscar na escola se necessário, respeitar suas escolhas na educação da criança, a surpreender com elogios e gentilezas, a incentivar a se divertir e a relaxar um pouco, ao invés de julgá-la por querer um tempo com os amigos, com o namorado ou sozinha, mostrar para ela o quanto ela é forte, mas deixando claro que ela não precisa fazer tudo sozinha e que você está ao seu lado para o que precisar, são algumas formas de demonstrar respeito e empatia por essas mulheres que encaram o desafio de educar crianças para um mundo cada vez melhor!  

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Escrito por Ana Clara Oliveira
Jornalista e editora do Blog da Leiturinha, é fascinada por tudo que envolve o mundo da leitura, da educação e da infância. Acredita que as palavras aproximam pessoas, libertam a imaginação e modificam realidades. Gosta de escrever, viajar e aprender sempre.
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7 Comentários

  1. Avatar

    Sinto também falta de empatia com os pais solo!

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  2. Avatar

    Fantástica reportagem!!!
    Eu faço parte das estatísticas de “Mãe Solo”, os desafios são inúmeros porém a alegria é dobrada pelo fato de saber o imenso amor que minha Pequena desenvolveu em toda minha família e no meu clã de amigos…

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  3. Avatar

    Muito boa ! Infelizmente é bem assim a nossa sociedade, ainda vivemos no século passado.

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  4. Avatar

    Amei a reportagem ,pois tenho um filhotinho com Síndrome de Down com quatro anos e está nessa fase da teimosia e já não sabia mais como reagir com ele .Pois apesar da SÍNDROME ELE É MUITO ESPERTO.

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  5. Avatar

    Amei essa matéria e me identifiquei, pois fiquei viúva quando meu filho tinha 4 anos. Tenho muito apoio da família, mas apesar de trabalhar e me desdobrar pra ser a ‘melhor mãe do mundo’, sou sempre questionada e julgada por ser extremamente carinhosa e protetora com meu guri de 6 anos, por isso tenho sentimentos de culpa… Atualmente fazemos acompanhamento psicológico o q tem me ajudado muito. Mas para sair com meu novo namorado é até complicado, parece q eu tenho q levar meu filho sempre comigo pq faz parte do ‘pacote’… Mas tenho superado e sou muito feliz por tudo q faço por nós, eu e meu filho.

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  6. Avatar

    Realmente é muito triste a realidade em q vivemos em pleno 2019! Ainda há muito preconceito sim!! Sou julgada até pela minha mãe!!! Ela defende cegamente meu ex marido só porque colabora com algum aporte financeiro e acha que todas as outras responsabilidades devem ser minhas e está td normal! Estamos falando de um pai q só vê a filha 2x/ ao ano! Eu morri como mulher para ser mãe e isso está correto e normal, mas para os homens as coisas ainda são muito diferentes. O detalhe é que sou uma profissional q trabalho todos os dias e ainda tenho q ser a mãe exemplar!

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  7. Avatar

    “Eu morri como mulher para ser mãe e isso está correto e normal, mas para os homens as coisas ainda são muito diferentes”

    …é exatamente isso que sinto. E estou a cada hora que passa mais revoltada e exausta com a ‘ in’justiça, hipocrisia e machismos deste país. Mas por outro lado ainda não encontrei uma forma de expor e fazer com que isso mude. A vontade é de gritar “ei mundo, porque para o “pai” é ok e para a mãe não?”

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