O título dessa matéria sugere que o leitor encontrará aqui as respostas para o que é a Síndrome de Asperger. Porém, é importante esclarecer que de acordo com algumas convenções internacionais, esse não é mais um termo utilizado. O que antes era denominado como Síndrome de Asperger, agora é denominado como o “primeiro nível do espectro do autismo”. Essa mudança ocorreu porque os termos anteriores já não eram suficientes para englobar a diversidade de características que compõem esse  transtorno. 

No entanto, embora o termo tenha mudado, ainda é comum ouvir as pessoas falando sobre a Síndrome de Asperger. Por isso, é importante conhecer algumas características e os mitos existente sobre o quadro. 

Quais são as características que englobam o Transtorno do Espectro Autista?

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é um termo guarda-chuva que contempla três níveis. No primeiro nível, mais leve e funcional, também conhecido como a Síndrome de Asperger, não ocorre prejuízos intelectuais ou atrasos na aquisição da fala. No segundo nível, os déficits são mais acentuados e há uma necessidade de apoio substancial. Já no terceiro nível, os déficits são severos e a necessidade apoio é imprescindível. 

Embora existam diferenças, todos os três níveis possuem traços em comum. Por exemplo,  dificuldades em interação social, interesses restritos, dificuldade em experimentar novidades e dificuldade em perceber algumas figuras de linguagem. 

Como é realizado o diagnóstico?

É chamado de espectro com o intuito de  eliminar as fronteiras rígidas entre os comportamentos de cada nível. Dessa forma, existe uma margem que contempla uma diversidade de comportamentos. O diagnóstico é realizado conforme os graus de comprometimento das funções, a intensidade e a  gravidade dos sintomas.

Quais os mitos que cercam o Espectro?

1. Crianças portadoras da Síndrome de Asperger têm um Q.I. mais alto?

Existe um mito de que as crianças com a Síndrome de Asperger são seres excepcionais, de inteligência ímpar. Na verdade, não existe uma correlação entre a Síndrome de Asperger e um Q.I. alto.. O fato de terem interesses restritos faz que com se tornem exímios conhecedores e, por vezes, especialistas em algo. Por esse motivo podem ter altos desempenhos em determinada área. Mas essa não é uma regra. 

2. Existe cura para a Síndrome?

Outro mito é de que existe uma cura para esse quadro. A Síndrome não é considerada uma doença e, portanto, não existe um tratamento curativo. Pelo contrário, os tratamentos objetivam desenvolver autonomia e as habilidades sociais.

3. Qual a origem da Síndrome de Asperger?

Isso faz com que muitas pessoas criem teorias falsas sobre essa causa. Mitos sobre ser causada por vacinas ou por privação emocional, são equivocados. A etiologia do transtorno ainda é desconhecida, mas estima-se que há um forte componente genético. 

Colocando sempre a criança a frente do transtorno

Os diagnósticos são importantes para que os profissionais de saúde e educação falem a mesma língua. No entanto, é importante que os pais e as pessoas que vivem ao redor da criança não fiquem presos aos nomes. Eles ajudam, mas também podem aprisionar. Por isso, nunca podemos nos esquecer que antes de qualquer transtorno, existe uma criança, com interesses, opiniões e sonhos.

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Profile photo of Juliana Freitas

Formada em Psicologia, é apaixonada pela ciência e pelas artes literárias. Estuda o encontro entre a criança e o livro, a criança e o psicólogo e a criança e o mundo.