A relação entre a mastigação, a deglutição e a respiração do bebê

Os atos de respirar, mastigar e deglutir são inerentes à vida de qualquer ser humano, por isso, muitas vezes, acreditamos que são feitos de forma automática, até mesmo por um recém-nascido, e acabamos não prestando atenção se o bebê está fazendo corretamente e o quanto isso pode interferir na sua qualidade de vida e desenvolvimento.

Apesar de serem funções diferentes, a respiração, a mastigação e a deglutição estão muito ligadas e, principalmente a respiração interfere muito nas outras duas. Além disso, quando uma criança respira mal, pode ter a amamentação, audição e até, posteriormente, o paladar prejudicados. Por isso é tão importante observar, desde o nascimento, se o bebê está respirando pelo narizinho. Se a respiração não for nasal, ele não consegue se coordenar para sugar e retirar o leite da mama, por exemplo.

5 coisas que a má respiração do bebê pode desencadear

A importância da respiração parece um pouco óbvia, mas preparamos uma lista com alguns itens que você nem imaginava que poderiam ser afetados por uma má respiração:

1. Amamentação: a respiração é fundamental para que a amamentação seja eficiente. Respirar bem e pelo nariz, ajuda no desenvolvimento da coordenação, sucção e retirada do leite da mama.

2. Desenvolvimento facial: quando o bebê respira pelo narizinho, a movimentação do ar entrando pela cavidade nasal ajuda a desenvolver e fazer com que os seios nasais cresçam e auxiliem no desenvolvimento facial do bebê. Os seios nasais precisam crescer para a criança respirar bem e o ar passar livre pelo narizinho.

3. Paladar: você sabia que a respiração é responsável por 80% do sabor que sentimos? Na boca, sentimos apenas cinco sabores: azedo, amargo, doce, salgado e umami. A nossa respiração tem células que detectam 80 mil tipos de sabores, por isso, respirar bem está diretamente ligado ao paladar e gosto por diferentes alimentos.

4. Audição: quando a criança respira mal, a mucosa do nariz pode hipertrofiar e apertar a tuba auditiva, que regula a pressão da orelha externa com a orelha média. Se essa regulagem não é feita de maneira eficiente, a audição fica rebaixada, como se o bebê estivesse andando de avião. Assim, a criança ouve menos e não desenvolve o caminho auditivo que o nervo auditivo desenvolve, até os sete anos de idade, para o processamento auditivo central, atrapalhando a velocidade que a criança vai interpretar aquilo que ouve.

5. Postura: quando acontece da criança ter dificuldades para respirar pelo nariz e cresce respirando pela boca, ela precisa fazer várias outras adaptações, não só com a boquinha, mas com o corpo também. Isso afeta até mesmo questões posturais, deixando a musculatura da região mais fraquinha e dificultando a ingestão de alimentos mais duros e fibrosos e, em casos mais específicos, pode até gerar alterações na fala e fraqueza na hora de engolir, que é a disfagia.

Um dos principais sinais que o bebê não está respirando direito é quando é perceptível que ele não está dormindo direito, algumas vezes podem até surgir olheiras e a atenção também é prejudicada. O ideal é que, quando perceber que o bebê está com dificuldades para respirar pelo narizinho, levar prontamente a um profissional especializado que poderá ajudar e normalizar a situação.

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Profile photo of Flávia Puccini

Fonoaudióloga, mestre em processos e distúrbios da comunicação e especialista em motricidade orofacial. É consultora de amamentação e laserterapeuta. * Flávia é nossa autora convidada e seus textos não refletem, necessariamente, a opinião do Blog Leiturinha.