A timidez, no adulto ou nas crianças, não é uma doença e pode não ser um problema também. Ela é uma característica de personalidade e é normal que algumas pessoas sejam mais introvertidas, mais reservadas ou, simplesmente, não gostem muito de falar sobre si e vivem muito bem dessa forma.  

Agora, se a timidez traz prejuízos ao convívio social ou representa um obstáculo para que a criança realize determinadas tarefas (como tirar uma dúvida na escola, pedir para ir ao banheiro ou até mesmo ir a uma festinha de aniversário), ela pode representar um problema e precisa de atenção.

Quando se preocupar?

Quando a criança tem dificuldades para se relacionar, prefere brincar sozinha todas as vezes, necessita da ajuda dos pais constantemente, não tem iniciativa e parece não se divertir nunca, é importante ligar o sinal de alerta, pois pode ser que exista algum sofrimento envolvido. As crianças tímidas, normalmente, são extremamente exigentes consigo mesmas, tendo medo de se expor e de se arriscar.

Muitas vezes, por conta da timidez excessiva, a criança perde oportunidades e se arrepende por isso, o que pode lhe causar ansiedade e angústias que precisam ser trabalhadas, pois, no futuro, esses comportamentos podem dar origem a uma fobia social e ansiedade, trazendo prejuízos para os seus relacionamentos.

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Como ajudar?

É importante estar atento para o quanto a timidez interfere na vida da criança. Para ajudá-la a conviver com a timidez de maneira saudável, algumas dicas podem ser valiosas:

1. Evite rótulos. Não diga: “Fulano não brinca porque é tímido”, isso pode cristalizar uma autoimagem negativa para a criança e contribuir para que ela fique cada vez mais retraída.

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2. Não force a criança a fazer atividades nas quais ela não se sinta bem. Os adultos podem pensar que expor a criança a uma atividade que ela não goste irá ensiná-la a lidar com a situação, mas, na maioria das vezes, o efeito é exatamente o contrário.

3. Tenha calma. É preciso paciência para que, aos poucos, a criança ganhe segurança em si mesma e permita-se tentar novidades.

4. Incentive a criança a participar de exercícios em pequenos grupos. Começar com um número menor de pessoas pode ajudar.

5. Estimule novas brincadeiras com os colegas. Dê possibilidades para que a criança possa se arriscar um pouco e tentar coisas novas.

6. Não a compare com os amigos. “Seu amigo fez”, “Seu amigo foi” não são comentários saudáveis e podem aumentar ainda mais a insegurança da criança.

7. Não menospreze os sentimentos dela. 

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8. Valorize as pequenas conquistas e os esforços da criança.

9. Converse sobre as situações que podem deixá-la mais tímida e pensem juntos em formas de enfrentar a situação.

10. Se as dificuldades aumentarem, procure ajuda de um profissional. Um psicólogo poderá ajudar a criança a lidar com a timidez de maneira mais assertiva.

Mesmo sem se expor demais, a criança tímida pode ter excelente relacionamento com os amigos e conquistar mais autonomia e independência, sem passar nenhum aperto mesmo longe dos pais.

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Mãe da Maria Clara, mestre em psicologia clínica, especialista em psicologia perinatal e formada em psicoterapia infantil. Carinhosamente, contribui com seu conhecimento aqui no Blog, à convite da Leiturinha.