Quem tem filho que chupa o dedinho sabe: esse é um comportamento difícil de mudar. Inicialmente, chupar o dedo aparece como um reflexo da necessidade de sucção do bebê, oferecendo conforto emocional nos momentos de angústia e ansiedade, quando está com sono, quando sente medo ou insegurança. Além disso, com o nascimento dos dentinhos, o dedo na boca traz alívio à coceira na gengiva.

No entanto, com o passar dos meses, o nascimento dos dentes e a introdução alimentar, é esperado que a criança abandone esse hábito naturalmente. Isso ocorre por volta dos dois anos, quando a mastigação substitui a sucção e a criança já possui alguns recursos para se comunicar e expressar seus sentimentos.

E quando o comportamento não muda?

Crianças mais tímidas, inseguras ou com dificuldades para se expressar podem prolongar o hábito. É preciso que os pais estejam atentos aos momentos em que a criança chupa o dedo, para tentar compreender o que acontece com ela.

Algumas dicas podem ajudar:

1. Em primeiro lugar, muita paciência. Nenhum comportamento muda de uma hora para outra, nem com adultos e nem com crianças. É preciso tempo e compreensão durante esse processo.

2. Ofereça à criança um espaço para falar sobre seus sentimentos. Estimule conversas que permitam a expressão das emoções, fale sobre si, pergunte sobre o dia dela e demonstre que se interessa por seus assuntos.

3. Proponha atividades manuais. Recortar, colar, pintar, desenhar… Ao estar com as mãos ocupadas, muitas vezes a criança não se lembra de levá-la à boca.

4. Brinquem de desenhar nas pontas dos dedos, coloquem adesivos ou curativos coloridos. Os “dedinhos enfeitados” podem ser um estímulo a mais para que a criança não os coloque na boca.

5. Interrompa o hábito durante o sono. Quando perceber que a criança está dormindo com o dedo na boca, tire de maneira delicada.

6. Aumente o tempo das mamadas. Se a criança ainda mama no peito, deixa-la sugar por mais tempo pode ajudar, já que chupar o dedo pode sinalizar uma carência afetiva.

7. Não tenha atitudes radicais. Colocar pimenta, pó de café ou qualquer outra substância amarga ou picante nos dedos da criança pode agredir seu organismo e não será eficaz.

8. Não ridicularize a criança na frente de outras pessoas. Essa atitude pode aumentar ainda mais sua ansiedade e insegurança.

9. Ofereça às crianças mais velhas alimentos fibrosos, frutas e legumes.

10. Se a dificuldade persistir procure ajuda especializada. Dentistas, fonoaudiólogos, nutricionistas e psicólogos podem orientar a melhor maneira de auxiliar a criança.

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Profile photo of Flávia Carnielli

Mãe da Maria Clara, mestre em psicologia clínica, especialista em psicologia perinatal e formada em psicoterapia infantil. Carinhosamente, contribui com seu conhecimento aqui no Blog, à convite da Leiturinha.