Você conhece alguma criança que tenha um brinquedo, um bichinho de pelúcia, uma naninha, um cobertor ou até uma chupeta preferida, que leva para todos os lugares? Às vezes nenhum desses objetos, mas algo que o pequeno não abre mão na hora de dormir ou quando se sente sozinho.

São os famosos objetos de transição – ou objeto transicional – bastante comuns na primeira infância e importantes para o desenvolvimento emocional da criança. Pode ser qualquer objeto que a criança se apegue quando começa a entender que ela e a mãe* não são a mesma pessoa.

Mas o que é o objeto transicional?

Winnicott (pediatra e psicanalista inglês) definiu o objeto transicional como aquele utilizado pela criança para suportar a ausência materna. Segundo o autor, nos primeiros meses de vida, o bebê não tem consciência de que ele e a mãe são pessoas diferentes.

Com todo o cuidado e atenção que recebe, a mãe satisfaz as necessidades do filho, de modo que ele passa a necessitar exatamente daquilo que ela lhe oferece. Assim, o bebê se sente confiante para conhecer o mundo a sua volta e a se conhecer também, descobrindo suas possibilidades e limites.

Aos poucos, a partir do vínculo que estabelece com a mãe, o bebê consegue se sentir inteiro, quando se torna capaz de se diferenciar dela. Porém, quando percebe que a mãe nem sempre está presente, a criança tende a buscar em um objeto (que represente a mãe) o apoio e conforto que precisa nesses momentos.

Essa escolha deve ser da criança, pois o objeto deve ter um significado para ela e não para os pais. Vale comentar que nem toda criança sente necessidade de ter ou usar um objeto transicional e não existe nada de errado nisso.

Quando usado, é algo saudável, que ajuda a criança a lidar com a ansiedade e a frustração. Normalmente os objetos transicionais acompanham os pequenos até por volta dos 5 anos, mas isso pode variar de acordo com o desenvolvimento emocional de cada um.

Não existe necessidade de apressar esse processo, mas os pais podem aos poucos ajudar a criança a lidar com suas angústias sozinha, sem precisar de um objeto real para se tranquilizar. Para isso, é importante conversar sempre com ela e oferecer um espaço onde possa falar abertamente sobre seus sentimentos.

Dessa forma, quando se sentir pronta, a criança poderá enfrentar novas situações de forma segura e confiante.

*mãe = função materna: é quem desempenha esse papel, quem é responsável pelos cuidados, pelo carinho e pelo acolhimento da criança. Pode ser a mãe biológica ou um substituto.

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Profile photo of Flávia Carnielli

Mãe da Maria Clara, mestre em psicologia clínica, especialista em psicologia perinatal e formada em psicoterapia infantil. * Flávia é nossa autora convidada e seus textos não refletem, necessariamente, a opinião do Blog Leiturinha.