A primeira vez que parei para pensar nessa pergunta, confesso que senti certo desespero. Primeiro porque me dei conta que já nem sabia mais do que eu gostava ao certo. Envolvi-me de tal maneira no papel mãe que havia esquecido de desempenhar o papel mulher. Segundo, porque não conseguia me imaginar fazendo nada que não envolvesse o meu filho. A rotina do dia a dia me consumia e eu apenas seguia o fluxo da vida. Era como se, todos os dias, alguém tomasse as decisões da minha vida por mim. Eu era apenas a pessoa que executava. Até que, li em um post, a seguinte pergunta: quando seus filhos crescerem, quem será você? Preciso confessar que essa pergunta mexeu comigo. Quem eu era antes da maternidade? Quem eu era além da maternidade

Comecei a dedicar um tempo do meu dia para refletir sobre essas questões 

Além disso, também comecei a testar realizar coisas que pudessem me deixar feliz. Comecei a correr. Era um sonho que eu tinha desde menina e que, pelos caminhos tortos da vida, nunca havia colocado em prática. Iniciei na meditação como forma de resgate da minha essência. Descobri que gostava mais de estar sozinha do que eu imaginava e os momentos de solidão passaram a valer ouro para mim. De repente, quando passei a cuidar mais de mim, me tornei uma mãe mais calma, com mais paciência e mais atenta ao meu filho.

Eis o grande segredo da vida: cuidar primeiro de mim

Ocorre que quando nos tornamos mães, a sociedade nos ensina que precisamos abrir mãos das nossas necessidades para colocar em primeiro lugar as necessidades do filho. Mas esse é um caminho que nos leva aos sentimentos como medo, raiva e  angústia. Sim, a maternidade nos faz escolher entre isso ou aquilo. Precisamos abrir mão de algumas coisas em troca do direito à responsabilidade de educar um filho. Mas não precisamos abrir mão de sermos quem nascemos para ser. Nossa essência não compete com a maternidade. Elas complementam-se, somam-se. 

Todo ser humano tem necessidades especiais

Quando abrimos mão dos nossos sonhos para nos dedicarmos a outra pessoa vamos morrendo um pouquinho a cada dia. Somos humanas e como todo ser humano temos necessidades essenciais. Por isso, olhe para você. Para cuidar de alguém, você precisa estar bem. Caso contrário, será muito fácil entrar no mundo da sobrevivência. Se tem alguém nesse mundo que tem direito de viver bem, são as mães!

Quem é você além da maternidade? O que te faz feliz?

Não vale responder que é ver seu filho ser feliz. A pergunta é o que faz VOCÊ feliz. Quais são seus sonhos? O que você mais gosta de fazer? Pegue papel e caneta. Anote a primeira resposta que vier a cabeça. Sem julgar, apenas anote. Se alguma das respostas que vier não estiver presente na sua vida hoje, comece a refletir como é possível incluí-la. Quando alguém te perguntar quem é você, não se restrinja a afirmar que você é apenas uma coisa. Seja você por inteiro. Então, para além da maternidade, quais são seus sonhos?

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Profile photo of Gabriela Braun

Consultora educacional, educadora parental e mãe do Rafael. Ajuda mães e pais a lidarem com comportamentos desafiadores dos filhos através da educação consciente. * Gabriela é nossa autora convidada e seus textos não refletem, necessariamente, a opinião do Blog Leiturinha.