Como você educa seu filho diz muito sobre quem você é

por | jan 12, 2018 | 9 Comentários

O papel da liderança familiar na educação dos pequenos

Um dos principais papéis dos pais na vida dos filhos é transmitir seus valores e crenças sobre o mundo. Isso, inclusive, é muito importante para que nossas crianças se tornem adultos éticos no futuro. A forma como pais e mães transmitem seus valores aos pequenos, diz muito sobre sua forma de ser e de exercer seu papel. A capacidade de educar sem chocar ou causar terror às crianças é um grande desafio e não existe uma receita pronta para que isso seja feito. O sucesso da educação diz respeito ao modo como conseguimos aplicar nossos conhecimentos sobre o mundo e a maternagem na criação dos nossos pequenos. Isso tem relação direta com o termo liderança familiar, utilizado para designar as diferentes formas de estabelecer limites na vida dos filhos que, por sua vez, são reflexo do modo como exercemos a liderança sobre os pequenos.

Estabelecendo limites: que tipo de pai/mãe você é?

De maneira geral, a liderança familiar pode ser exercida de três formas, levando em consideração a maneira como os pais educam e lidam com seus pequenos. Confira:

– O pai/mãe autoritário é aquele que estabelece os limites de forma inegociável. Ele define aquilo que ele considera que é certo, errado ou permitido para o pequeno, sem a possibilidade de revogação.

– Agora, você também pode ser um pai ou uma mãe que priorize a igualdade e permite que o pequeno faça negociações acerca de uma regra ou um limite. Para isso, é preciso que você construa argumentos bem fundamentados e pautados na verdade, para conversar com seu pequeno.

– Por fim, a permissividade é uma das características de um pai/mãe liberal. Deixar que os pequenos descubram o mundo por si mesmo é uma das principais maneiras de educar quando tratamos desse tipo de paternidade.

Considerando as diferentes formas de pensar a liderança familiar, é necessário que os pais reconheçam qual delas condiz melhor com sua maneira de ser. O importante, independente do seu estilo de liderança, é se adaptar ao modo infantil de ver o mundo e conversar de forma justa e sincera com seu pequeno sobre limites e permissões.

As regras negociáveis e as inegociáveis

Seja qual for a forma que você exerce sua autoridade sobre seu filho, é importante que ele saiba que existem algumas regras que não são passíveis de negociação. Por exemplo, tomar banho ou ir dormir não pode ser algo revogável. Agora, uma ida ao parque pode ser conversada…

Ética

Não espere que seu pequeno nasça com preceitos éticos já fundamentados. Uma criança não sabe se deve ou não reagir de forma agressiva a uma ameaça. É preciso que você a ensine a lidar com as diferentes situações.

Explicar que cada coisa tem sua hora e lugar é importante para que, aos poucos e a partir do diálogo, seu pequeno construa sua própria visão de mundo. Isso acontecerá no fim da primeira infância, antes disso, você é quem deve fornecer bases para que ele aja no mundo. Saber os limites em relação ao outro, por exemplo, é algo fundamental para que a criança construa sua vida social, fora do círculo familiar.

Como iniciar um diálogo sobre regras?

Elaborar estratégias disciplinares com as crianças é uma tarefa e tanto. A partir dos seis anos, as crianças já são capazes de introjetar as regras que as são impostas. Por isso, é ideal que, a partir desta fase, elas já possam ser cobradas de respondê-las ou não. Responder às regras é necessário para que a criança desenvolva sua autonomia e, só é possível dar autonomia a uma criança a partir do momento em que podemos confiar que ela responderá aos comportamentos que ensinamos a elas. A autonomia é decorrente do comportamento dos pequenos em relação a essas regras. Quando falamos de autonomia, não estamos nos referindo à ideia de obediência, mas da capacidade de apreciar as normas por motivos diferentes, respeitando-as e, até mesmo, compondo suas próprias regras, no sentido de desenvolver também sua autonomia moral. É a capacidade que a criança desenvolve de se autorregular.

Como já dito, é a partir do sexto ano que as crianças passam a experimentar sentimentos de justiça, de certo ou errado e de castigo. Ou seja, começam a internalizar, de fato, as regras sociais. Tornam-se seres heterônomos e possuem interesses em atividades grupais e regradas. Mas ainda apresentam dificuldade em tomar decisões, apesar de terem a crença de que regras são imutáveis. Isto significa que, a partir desta fase, as crianças passam a regular seu próprio comportamento com base em sentimentos como medo da punição e amor ao outro, é também quando internalizam questões religiosas e sagradas transmitidas pelos pais.

A regra é: conversar, conversar e conversar!

Nada como uma boa conversa pra explicitar os pensamentos comuns da família sobre comportamentos e regras sociais. Todos os membros dessa família são de grande importância no momento do diálogo sobre normas. Isso porque quanto mais a criança sentir que o pensamento sobre um comportamento ou uma regra é compartilhado por pessoas que ela tem como referência, mais motivos ela terá para respeitá-las. Por fim, tente explicar tudo o que acredita com verdade para seu pequeno, usando uma linguagem adequada à sua compreensão. O diálogo e o exemplo formam o melhor caminho para uma educação democrática, de qualidade.

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Escrito por Caroline Lara
Líder da Equipe de Curadoria da Leiturinha, é formada em Psicologia e mãe do Caetano. Leitora compulsiva, é apaixonada em provocar emoção, despertar a fantasia, entreter e alegrar pequenos através da literatura. Acredita que quanto menor nosso tamanho, maior a criatividade!
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9 Comentários

  1. Avatar

    Bem bacana! Otimonpara refletirmos sobre qual tipo de pai / mãe somos e o que gostaríamos de ser!

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  2. Avatar

    Adorei os artigos. Muito me ajudaram a construir um diálogo com meu filhote.

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  3. Avatar

    Os pais devem ter autoridade sem ser autoritários. Ter autoridade é ser reconhecido/a como alguém em quem se pode confiar a liderança e a decisão que não somos capazes ainda. Contudo, vivemos em uma época que prevalece a falta de referências, a infantilidade e o imediatismo. Nesse contexto, autoridade é coisa rara e por isso educar tem se tornado um desafio hercúleo.

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  4. Avatar

    Os tópicos são pertinentes e nos fazem rever, constantemente, nosso modo de agir em relação aos pequenos. Muito bom!

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  5. Avatar

    Gostei muito do texto. Nos ajuda, a dar uma “paradinha” e refletirmos sobre o assunto. Tentar errar menos, com nossos pequenos.

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    Muito importante esta sua postagem, pois tenho isto com preocupação, atitudes bem permissivas, crianças sem limites, famílias sem liderança, ou seja, uma desordem social já dentro das famílias. Os pais não devem ter medo de seus filhos e muito menos de os perderem, se forem firmes mas amorosos, justos com coerência, ou seja palavras e atos dizerem as mesmas verdades.
    Parabéns, Caroline.

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  7. Avatar

    Muito bom mesmo todo o texto
    Agora mesmo me pergunto?
    Em qual desses tópicos me encaixo.
    Seria muito bom que esses assuntos fossem mais longe para todos os pais e mães.
    Parabéns.

    Responder
  8. Avatar

    Muito bom mesmo todo o texto
    Seria muito bom que esses assuntos fossem mais longe para todos os pais e mães.
    Parabéns.

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  9. Avatar

    Bom dia!
    Achei interessante seu ponto de vista! Mas me pergunto, quantas limitações colocamos em nossos filhos, entregando regras e verdades que muitas vezes e, acho até que a maioria das vezes não são nossas, e que nos limitaram a acreditar que somos tão incapazes, de acessar um conhecimento que é intrínsico e que o que vai fazer acessá-los, ao meu ver, são as perguntas que devemos então incentivá-los a fazer, diante de uma possível ação!
    Ontem uma mãe, repreendendo sua filha de oito anos, disse a ela , qdo esta, chamou o irmãzinho, de seis anos de abusado, logo que tiveram uma discussão!
    Ele foi choramingando p colo da mãe, e esta disse: não faça isso, tudo que a gente faz ,volta para gente! Me deu uma angústia ao ouvir isso! O quanto a gente vive como papagaio, repetindo frases feitas, e possivelmente ela, ouviu isso da mãe, ou pai, ou professora, enfim, e agora vai repetindo e limitando a filha a viver com verdades compradas, e que vão inconscientemente sendo o norte de suas escolhas! Tenho hoje essa percepção , e quantas escolhas que não são nossas vão nos tirando de nosso saber e caminho que vão frustrando nosso ser? Quantas pessoas que passam uma vida inteira, por vezes sem sorte de acordar para perceber, saber e receber o que de fato e de direito nasceu para construir?
    Estar atento aos passos de nossos filhos é essencial para sua sobrevivência, e livrá-lo de uma queda, é nossa contribuição para tal, mas ditar regras a partir daí , é não permitir que com perguntas, ele possa ter a sua percepção sobre o fato! Não com frases feitas, mas com consciência de suas escolhas e consequências! Meu ponto de vista!
    Criatividade vem a partir das perguntas, e destas, o acesso ao saber!
    Como seria o mundo se as pessoas pudessem acessar o ser infinito que são, sem os dogmas, preceitos e preconceitos e conceitos de certo errado, comprados sabe lá de quem e com que propósito foram criados, ,(muitas vezes surgidos , por alguém que teve essa compressão de algo registrado erroneamente, porque não criou a partir das perguntas), e concluiu que para ter o que deseja dos outros, tem de manipular suas mentes e cria regras e castigos!
    Perguntas empoderam! Respostas limitam!!!
    Sócrates já tinha essa percepção, Jesus, Buda…
    Gratidão, por sua contribuição!! 🙏

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