O jogo GTA é popularmente conhecido no Brasil e um verdadeiro sucesso, principalmente entre jovens e adultos. A sigla, GTA, refere-se à Grand Theft Auto, que é o termo em inglês para o roubo de automóveis de alto valor agregado, que em português seria o crime de Roubo Qualificado de Automóveis. 

Ou seja, somente pelo título já é possível identificar do que se trata o jogo. Mas para entender mais sobre a temática e a dinâmica de GTA, conversamos com Arthur de Lio, Líder de Conteúdo Digital na PlayKids e jogador assíduo. 

O jogo GTA é recomendado para crianças e adolescentes? 

A resposta é não. No entanto, caso seu filho jogue, é importante que você saiba que, com a classificação indicativa para maiores de 18 anos, o enredo do jogo passa por temas como violência, assassinato, drogas, roubos (como o próprio nome já induz), insinuação sexual, entre outros. 

Isso não significa que o jogo seja ruim. Pelo contrário, ele é case de sucesso e ganhador de diversos prêmios, como VGX: Jogo do Ano em 2013, VGX: Melhor Trilha Sonora em 2013, BAFTA Video Games Award: Melhor Design em 2014. O efeito é comparável ao de filmes e séries com narrativas tão sedutoras como a do jogo, que te levam a torcer pelo anti-herói, como em “Breaking Bad” e “Clube da Luta”. Ou narrativas que te tiram completamente da sua realidade cotidiana, na qual você pode dar vazão ao seu lado nada “certinho”. E esse é o grande apelo do jogo, e o motivo pelo qual ele atrai tantos jogadores e gera tanta vontade de jogar nos adolescentes. 

Por que o jogo GTA é tão popular?

Na opinião do jogador Arthur,  o que mais atrai no jogo é o fato dele ser do tipo “mundo aberto”, ou seja, os jogadores têm liberdade de escolha de como e quais objetivos realizar. “O jogo possui as missões do storyline, que são as principais, mas traz também uma série de missões paralelas. Quando preciso realizar uma missão, na grande maioria das vezes o jogo me permite escolher o veículo que vou usar, e as armas que vou levar. Isso traz cenas divertidas e pode acrescentar desafios bem interessantes”, afirma. 

Ou seja, cabe ao jogador escolher o nível de violência a conjuntura ideal para a realização das missões. Isso, alinhado a uma mente adolescente, pode ser um prato cheio para simular as situações que provavelmente não serão vividas. Nesse caso, reforçamos que a classificação indicativa deve ser respeitada, e se não, é aconselhável que os pais supervisionem, joguem junto e de fato, dialoguem sobre o que foi visto nos jogos, assim como usem as experiências para reforçar comportamentos certos e errados fora do mundo virtual. 

Mas GTA é assim tão violento?

Sobre a Violência, Arthur conta que o jogo tem violência, mas que diferente da maioria dos outros jogos, a narrativa de GTA traz o jogador para o papel do anti-herói. Isso é feito em filmes e séries o tempo todo, como em O Poderoso Chefão, Scarface, ou Narcos. 

“O que mais causa polêmica em GTA é o que diferencia um filme de um jogo: no filme, estamos passivos assistindo ao que acontece, enquanto que no jogo podemos tomar controle das nossas ações. Você pode passar o jogo inteiro sem assaltar ninguém, ou pode assaltar todo mundo que vê pela frente. Assistir uma pessoa jogar e escolher fazer algo moralmente errado no jogo assusta em um primeiro momento, mas na grande maioria das vezes as pessoas realizam essas ações mais para experimentar e desafiar o próprio jogo, testando os limites das possibilidades, do que para replicar algo que querem fazer na vida real.”, complementa Arthur.

Quanto a violência em si, o jogador explicita que o jogo traz principalmente violência física, tanto com socos e chutes, como com armas brancas e armas de fogo. No entanto, segundo Arthur, a violência apresentada não é extremamente gráfica, sendo muito parecida com tantos outros jogos de tiro. Porém, para além disso, outro ponto de atenção para pais e educadores é que o jogo também apresenta diálogos com palavrões e cenas de sexo, de novo, nada diferente de muitos filmes que passaram pelo cinema.

Como pais e educadores podem lidar com isso? 

Assim como cabe ao pais selecionarem e conversarem sobre o conteúdo mostrado em filmes, séries, revistas, artigos e internet, cabe esse mesmo teor de conversa quando o assunto são os games. Diálogo é sempre o indicado para conduzir boas práticas e delimitar a quantidade de horas que serão destinadas ao entretenimento. 

Outro ponto é tentar não demonizar ou endeusar os jogos virtuais, pois o jogo em si é mais uma forma de diversão entre as tantas que estão à disposição de crianças e adolescentes. 

Por fim, reforçamos que o importante é entender qual é a proposta dos jogos e então escolher qual tem mais sinergia com a experiência buscada. Lembrando que o jogo sempre cria uma prática controlada de experiência, o que em si é interessante e válido em termos de vivência e entretenimento.

Confira também: 

Profile photo of Nathalia Pontes

Mestranda em Psicologia da Educação, Psicopedagoga e Escritora, acredita que aprender é uma combinação entre autoconhecimento, troca e curiosidade pelo novo. É apaixonada por educação, desenhos, viagens e literatura.