Net speak: a linguagem da internet prejudica o aprendizado?

por | set 11, 2019 | 7 Comentários

Você já ouvir falar sobre o internetês? Mas com certeza você já se deparou com ele em algum momento, mesmo não conhecendo o termo. A linguagem da internet, que também é conhecida como net speak, já é uma realidade presente há alguns anos na vida dos internautas, principalmente dos pré-adolescentes e jovens. Isso, inclusive, já causou muito rebuliço na comunidade acadêmica e das escolas. Afinal, o internetês atrapalha o aprendizado dos pequenos?

Em primeiro lugar, o que é a linguagem da internet?

Abreviações, acrônimos, ortografia adaptada, emojis… Tudo isso faz parte do internetês. Já viu alguma frase assim: “oi td bem q sdds d vc”? Em tradução: “Oi, tudo bem? Que saudades de você!”. Claramente exageramos na exposição do exemplo, mas isso não é tão incomum assim.

Essa linguagem informal surgiu pela primeira vez nos anos 1990, com a popularização da rede. Com o intuito de facilitar e agilizar a comunicação, ela também se tornou códigos de determinados grupos. Como assim? Dificilmente você vai encontrar um adolescente que se comunica pelas redes sociais com seus amigos utilizando a norma culta

Desta forma, o grupo dos “adolescentes” criou, despercebidamente, um código a ser seguido para quem deseja pertencê-lo. E isso não, necessariamente, é uma coisa negativa. Todos os grupos e nichos têm seus códigos a serem seguidos pelos integrantes. Assim, as pessoas que naturalmente já funcionam de acordo com essas regras, desenvolvem o sentimento de pertencimento tão inato à nossa humanidade quanto respirar.

E, se você está habituado ao ambiente virtual, certamente já abreviou as palavras, usou emojis e teve outros comportamentos do net speak para deixar a conversa mais dinâmica, informal e semelhante à linguagem oral. Considerando que, dificilmente, o sentimento envolvido na fala é também representado na escrita, por que não usar um emoji? A linguagem da internet é uma alternativa inteligente e eficiente de comunicação social, diminuindo a distância e a impessoalidade que as telas podem ocasionar.

Mas e aí? A net speak atrapalha o aprendizado do seu pequeno?

Embora o internetês seja uma linguagem coloquial que imita a oralidade, os seus adeptos sabem onde e quando deve-se ou não utilizá-la. Existem estudos da Universidade Federal de Juiz de Fora que mostram que adolescentes e pré-adolescentes não usam o net speak na escola, ou em outros ambientes onde a norma culta é exigida. Isso chama-se adequação linguística. Ou seja: usar adequadamente em cada contexto as variantes de registros da Língua Portuguesa, que é tão rica. 

Além disso, mesmo com abreviações e acrônimos, a estrutura gramatical das frases e textos é mantida. Caso contrário, se não fossem, seria impossível de interpretar, seja por omissão de palavras ou por realocação/inversão delas. Ou seja, para se fazer entender, mesmo que de forma despercebida, o internauta continua respeitando as estruturas gramaticais que aprendeu na escola

Tanto é que ficou comprovado que, mesmo para a geração mais impactada com a linguagem da internet, não houve prejuízo do conhecimento da norma culta, nem do discernimento de adequação ao contexto. Pelo contrário, essa primeira geração crescida de net speakers passou a ler e escrever mais, pela facilidade e agilidade em se comunicar. Afinal, quando você manda uma mensagem em uma rede social e recebe uma resposta, está exercitando a leitura e a escrita. Sendo assim, essa comunicação, mesmo que informal, é, também, uma forma de expressar ideias e exercitar a escrita de um bom texto.

O internetês daqui pra frente

Considerando que a Língua Portuguesa é viva e passível de alterações, diferentemente do Latim que não é mais falado, portanto não sofre nenhuma modificação, será que o internetês pode impactar o português? A resposta é sim. 

Vamos pensar na palavra “você”. Há muitos anos, era “vossa mercê”, depois “vossemecê”, e “vosmecê”, até hoje se tornar “você”. Que, aliás, na linguagem oral já foi reduzido para “ocê” e “cê”, enquanto na linguagem da internet pode ser “vc” ou “c”. Isso significa que a língua formal e falada, como a conhecemos hoje, já sofreu diversas alterações. Ou seja, ela se adapta à realidade da sua época, e a internet já faz parte dela. 

Não existe forma – e nem vale a pena buscá-las – de censurar a linguagem da internet, ela é viva. Na verdade, o que devemos buscar são formas de usá-la positivamente. E, nesse aspecto, as possibilidades são infinitas, é só usar a criatividade. Mas, fundamental mesmo é o papel do educador de preparar aqueles a quem educa para utilizar de forma crítica e adequada as diversas variações linguísticas que o português possui.

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10+ | 7 - 10 | Criança | Escola | Idade | Mundo | Tecnologia
Escrito por Paula Piffer
Estudante de Comunicação, acredita que a literatura transforma as pessoas e a educação transforma o mundo. Colaborou com o Blog Leiturinha!
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7 Comentários

  1. Avatar

    Gostei muito do texto, parabéns. Ele trás das duas linguagens -formal e informal- e tanto um adulto quanto criança entenderia. O texto trás muitas informações legais, e, graças a ele sei melhor sobre internetês

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  2. Avatar

    Achei muito bom e interessante seu texto, agora sei mais sobre o net speak.

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  3. Avatar

    Paula Piffer, ótimo texto, esta bem interessante e tudo mais, adorei o fato de você expor sua opinião em algumas partes do texto, gostei muito de você ter falado sobre o termo internetês. O seu texto ficou ótimo, divertido e bem claro, parabéns pelo trabalho.

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  4. Avatar

    Paula Piffer, gostei muito do seu texto, pois me falou coisas que eu não sabia da linguagem da internet. Muito Obrigada. Parabens pelo seu texto.

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    Paula Piffer seu texto está maravilhoso, concordo plenamente com você, temos que usar uma linguagem mais adequada de acordo com cada momento que estamos. Continue escrevendo textos maravilhosos como esse, parabéns pelo o seu trabalho.

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  6. Avatar

    Parabens pelo seu texto
    Eu gostei muito dele , eu aprendi muito
    Espero que você continue assim❤

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    eu adorei esse blog.Isso que voces dizem e tao intessante.Eu adoro voces espero que continuem assim.E seus livros tambem.

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