Meu filho me chama pelo nome: isso é normal?

por | maio 20, 2020 | 0 Comentários

Até meus cinco anos de idade eu morei com minha mãe e meus avós maternos. Nesse período eu sempre chamei minha mãe pelo apelido dela, pois essa era a forma que todos com quem eu convivia chamavam ela. Sempre escutamos os pais preocupados quando dizem: “Meu filho me chama pelo nome. O que posso fazer?” Essa preocupação é natural por parte dos pais quando a criança não os chama de papai ou de mamãe. Isso pode significar um distanciamento emocional, mas nem sempre é isso o que acontece. Confira a seguir outras razões que podem levar uma criança a chamar os pais pelo nome. 

Nem sempre é por causa do distanciamento emocional

Crianças costumam reproduzir os comportamentos e falas de quem elas mais convivem. Se os pais passam muito tempo longe dos filhos e os cuidadores diretos se referem a eles pelos seus nomes, é natural que a criança os reconheça dessa forma. Minha mãe trabalhava o dia todo e fazia faculdade à noite. Tínhamos pouco tempo juntas e, talvez, por isso eu a chamasse apenas pelo apelido e não de mãe. 

Quando ela casou de novo e nos mudamos, ela passou a pedir que eu a chamasse de mãe. Passamos então a conviver mais. Foi nessa época que passei a chamá-la de mãe. O tempo de convivência entre pais e filhos e as experiências que eles vivem está diretamente conectado com a forma como nossos filhos nos enxergam. 

O problema pode ser a distância física

Se você passa muito tempo longe do seu filho e a pessoa que cuida dele se refere a você pelo seu nome e não como “mamãe” ou “papai”, a criança cresce escutando essas referências e naturalmente passa a reproduzir o que ouve com mais frequência. Isso não quer dizer, necessariamente, que exista um distanciamento emocional entre vocês. O distanciamento emocional é criado pela forma como nos relacionamos com a criança quando estamos presentes. Se nos momentos em que estamos com ela, não temos presença ativa, ou seja, não a ouvimos com atenção, não a olhamos nos olhos, não brincamos, não interagimos, tudo isso pode gerar um vazio emocional na criança. 

As crianças buscam mais conexão!

Quando passei a chamar minha mãe pelo nome eu buscava me sentir mais conectada com ela. Acredito que ela também buscava isso. Logo que nos mudamos minha irmã nasceu e minha mãe começou a se referir a ela própria como mamãe. Ouvir ela mesma se chamar de mãe me deu referência para fazer o mesmo. 

Reflita um pouco…

Se o seu filho não lhe chama de mãe ou pai, observe o tempo que você passa com ele. Quando você fala com ele, que tipo de pronomes usa? “A mamãe está aqui…” ou “Eu estou aqui”? A forma como você se refere a si mesmo diante da criança vai contribuir para o jeito que ela irá lhe chamar. 

Outra dica é observar como os cuidadores dessa criança se referem a você quando falam com ela. Se eles dizem: “quando a fulana (seu nome) chegar você pode brincar com ela” é natural que a criança aprenda a chamá-la pelo seu nome, pois é o que ela mais escuta. 

Converse com seu filho…

Explique para ele como você gostaria que te chamasse. Se vocês estiverem conectados emocionalmente é muito provável que a criança respeite o seu desejo. Meu filho tem 6 anos de idade. Ele sempre me chamou de mamãe. Um dia, quando tinha 4 anos, me chamou de mãe. Ouvir aquilo doeu em mim. Me senti mãe de um adolescente e não de uma criança. Olhei para ele e disse: “Mãe, não! Sou muito nova para ser mãe. Quero ser mamãe!” Ele riu e até hoje me chama de mamãe. Sempre que tenta me chamar de mãe, carinhosamente eu peço que ele mude a forma de chamar. Quando construímos uma relação baseada na presença e no respeito, as crianças nos ouvem e fica mais fácil cooperarem com aquilo que pedimos que elas façam. 

Conta para a gente, você já passou por algo parecido? Como lidou?

Leia mais:

Escrito por Gabriela Braun
Consultora educacional, educadora parental e mãe do Rafael. Ajuda mães e pais a lidarem com comportamentos desafiadores dos filhos através da educação consciente. * Gabriela é nossa autora convidada e seus textos não refletem, necessariamente, a opinião do Blog Leiturinha.
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