4 mitos sobre o autismo que precisam ser desfeitos

por | abr 12, 2016 | 5 Comentários

Há alguns mitos sobre o autismo que precisam ser desfeitos. Um deles é o da falta de emoção. 

Falta de emoção

Carinhoso, agarradinho, meu filho nunca foi uma criança fria, distante. Às vezes, ficava ausente, mas eu era o seu contato com o mundo. Sua distância era com os outros, não comigo. Bernardo sempre foi um bebê carinhoso e se tornou um menino beijoqueiro e muito afetuoso, mesmo com as limitações que o autismo impunha. Ele não tinha aversão ao colo ou ao toque como alguns autistas; inclusive, foi esse potencial afetivo que ele apresentava que me fez duvidar, no início, sobre o diagnóstico de autismo. Para mim, para ser autista a criança precisava ser emocionalmente “distante”. Comigo e com a irmã, Bernardo sempre foi muito afetuoso. Com os outros, menos.

Agressividade

Outro mito é o da agressividade. Ele podia até se isolar das outras crianças, mas, em compensação, ele nunca as agrediu. Ele nunca bateu, mordeu outra criança, nem mesmo gritou com outras crianças. Pelo contrário, meu medo era de que os outros o machucassem. Por isso, eu ficava muito atenta a todos os seus passos. Quando íamos ao parquinho, era a agressividade das outras crianças que eu temia. Tinha medo de que algo o traumatizasse a ele se fechasse de vez para o mundo.

Retardo ou genialidade

Há também o mito do retardo ou da genialidade. Foi engraçado perceber que, para alguns pais, é mais fácil aceitar o autismo se o filho for diagnosticado com Asperger, já que isso significaria que a criança é superdotada, com inteligência acima da média. Felizmente, nunca considerei meu filho gênio, nem preferia que ele fosse Asperger.

Há uma discrepância enorme de dados quando o assunto é retardo mental. Chegou-se a acreditar que 70% dos autistas tinham algum tipo de retardo, o que é um absurdo. Feitas as devidas correções, hoje sabe-se que o percentual chega, no máximo, a 10% e, mesmo assim, trata-se de um leve retardo. A origem da confusão estava na dificuldade de se separar características “semelhantes” encontradas em crianças que tinham retardo mental e crianças autistas, o que levou muitas crianças que tinham retardo apenas a serem consideradas autistas. Daí a falácia do percentual de 70%.

Em relação aos autistas com algum tipo de genialidade (normalmente diagnosticados com Asperger), esse número também é bem abaixo da crença popular, com percentual em torno de 5% a 6%. A esmagadora maioria é formada por crianças com inteligência dentro da média, que precisam de estímulos diários para desenvolver suas potencialidades.

Balanço

Rodar pratos, balançar-se para frente e para trás continuamente (rocking). Esses são os sintomas mais conhecidos do imaginário popular quando o assunto é autismo. Muitas pessoas associam esses sintomas ao autismo e acreditam que todos os autistas agem exatamente da mesma forma, como o menininho que se balançava sem parar no filme Meu filho, meu mundo, apresentado na Sessão da Tarde pela TV Globo nos anos 80. Outro mito. O mito do balanço!

É verdade que meu filho fazia movimentos circulares com os objetos e rodava em torno de si mesmo, mas ele nunca rodou um prato ou ficou sentado se balançando, embora balançasse outros objetos. Rodava lápis, canetas, talheres. Não se balançava para frente e para trás, mas girava, girava muito.

Aprendi que não existe um jeito autista de ser. Não existe um padrão fixo para todos os autistas. No entanto, a falta de informações confiáveis faz com que os pais neguem o autismo quando não vêem esses estereótipos nos seus filhos. Se ele não roda pratos, não se balança, não é autista, certo? Errado.

Procurem um especialista!

Aconselho os pais a observarem o comportamento dos filhos e a procurarem ajuda especializada, seja de pediatras, psicólogos, psicanalistas ou de psiquiatras, assim que encontrarem sintomas que possam levar ao diagnóstico do autismo. Não é preciso que a criança tenha todos os sintomas do autismo para ser diagnosticada. Basta alguns deles. Bernardo não apresentava alguns dos principais sintomas e, mesmo assim, seu quadro era de autismo leve.

Leia mais:

Escrito por Luciana Mendina
Jornalista e autora do livro “O autismo tem cura?", publicado pela Editora Langage. *Autora convidada e seus textos não refletem, necessariamente, a opinião do Blog Leiturinha.
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5 Comentários

  1. Avatar

    Tenho um filho de 4 anos, diagnosticado como autista atípico, ele também não apresenta todas as características. Tem esteriotipias, dificuldade com a fala, como iniciaé uma conversa e se não for estimulado não se interessa por interagir com outras crianças, prefere adultos. Recentemente iniciamos com ele uma terapia pelo método padovan. Muito recente para falar em resultados mas gostei das diferentes técnicas utilizadas. Quais a principais terapias que o Bernardo fez ou ainda faz? Obrigado pela atenção!

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      Vicente, o Bernardo foi diagnosticado com autismo quando tinha um ano e onze meses. Menos de um mês depois, iniciou seu tratamento psicanalítico com os drs. Alfredo Jerusalinsky e Eda Tavares. Foram mais de sete anos de tratamento, cursando escolas regulares. Atualmente, Bernardo tem 15 anos e está no primeiro ano do Ensino Médio. Você pode conhecer a história dele em http://www.oautismotemcura.com
      Um abraço,

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    Prezada Luciana. Achei seu blog nas minhas buscas no Google sobre autismo. Graças a isso, agora meu pequeno filho de 20 meses é “assinante” do leiturinha. Fiquei muito feliz esta semana quando chegou nosso terceiro livro e ele demonstrou interesse para abrir a embalagem (nas outras vezes ele nem olhava). Ele senta no meu colo para que eu leia os livrinhos e também gosta de ler sozinho. Minha suspeita que ele tenha autismo começou há 5 meses. E percorro um caminho parecido com o seu. Consultei com o Dr. Rudimar Riesgo e também com a Dra. Julieta Jerusalisnki, filha do Dr. Alfredo. Dr. Rudimar disse que meu filho tem “traços de um TEA, mas evoluindo como um TEL”. Dra. Julieta respirou fundo e disse “não é autismo”. Mas a angústia continua. Ele não atende ao ser chamado pelo nome, é disperso, faz pouco contato visual e faz flapping quando muito feliz (antes fazia bem mais a qualquer momento). Isso me faz pensar que ele esteja dentro do TEA sim. A sensação que eu tenho é que basta ele crescer um pouco para que as coisas se tornem mais evidentes e venha o diagnóstico. Como quero ajudá-lo. Mas como é difícil, já que ele não se interessa por mim. Estou numa fase que o futuro me deixa angustiado…

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    Parabéns Luciana por seu conteúdo esclarecedor. Nosso filho de 3 anos e meio foi diagnosticado com TEA nível leve recentemente e nos identificamos muito com seu depoimento sobre o Bernardo. Estamos na luta. Cada dia é um aprendizado, uma conquista. Somos assinantes do Leiturinha e sempre nos sentimos abraçados por essa equipe tão especial. Parabéns pessoal e muito obrigada pelo acolhimento! #todossomosespeciais 🙂

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    Bom dia sua historia e muito parecida com a minha meu arthur tem 3anos e meio essa semana veio o diagnostico essa semana desde um bebe percebia que ele era diferente ele chorava muito nao durmia nao comia nada esmagadinho como qualquer outro be e a medida que foi crecendo suas reacaoes foram aflorando com 1ano e meio depois de muitas consultas veio o diagnostico de tdah e tdo comecamos o tratamento incluindo medicaçãos fono psicologa no momento nao tinha muito o q fazer pq ele nao falava quaze nada na quarta passada o diagnostico mudou para tea ele tem dificuldade com outras criancas da idade dele gosta de rodar nao assiste nada a nao ser o desenho da peppa sempre ele esta sempre eufórico se magoa e chora facilmente nao fala nada que vem da cabeca dele somente repete td que dissemos da forma dele pois fala quaze td errado muitas vezes ninguem entende e quando incistimos para ele repetir ele ja esqueceu o q tinha dito so conhece 3 cores azul verde e preto as outras ele nao lembra nao gosta de pintar se sujar ele nao anda ele esta sempre saltitando ou correndo td pra ele tem que ter acelerado andar de motinha de bicicleta tem q ser td rapido tem “mania” de que td quanto e porta gaveta pote etc tem que estar sempre fechado nao anda descalço nao fica sem camisa sem shorts tem q sempre estar coberto como e difícil das pessoas acreditarem no diagnostico de tea pq as pessoas acreditam em um esteriotipo de autismo somente em casos severos.

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