Rede de apoio. Você já deve ter ouvido falar ou pelo menos imagina o que significa este termo. Na realidade, eu mesma só aprendi como, de fato, funciona uma rede de apoio, após o nascimento do meu filho, Caetano. Até então, acreditava que o “script” do pós-parto era natural e sem delongas. Mas não é bem assim que funciona. Cada maternidade se constitui de um jeito e, por mais que tenhamos pessoas próximas, da forma mais numerosa ou intensa em nossa vida, elas nunca estarão 100% preparadas para nos dar aquele auxílio necessário, adequado e respeitoso que precisamos quando parimos.

O que não fazer se quiser apoiar uma recém-mãe

Para começar, é muito importante entender o que não é apoio. Apoio não é impor nenhum conhecimento à uma mãe que acabou de parir, por mais científico e empírico que este conhecimento se prove, ou por mais adequado à sua vista que ele seja. Apoio não é impor visitas em momentos inadequados (diga-se de passagem, nunca se proponha a ir à casa de uma puérpera antes que ela sinalize isso). Apoio não é se instalar na casa de uma recém-mãe sem ser convidado (ou pelo menos sem ter o convite previamente aceito). É preciso abrir mão dos seus próprios desejos para apoiar.

Apoiar uma mãe é, antes de tudo, saber ouvir

Apoio é, antes de mais nada, ouvir. Observar. Entender. E depois, só depois, se manifestar adequadamente. Apoio é estar a postos para lavar a louça durante uma visita, sem ficar em cima da criança, é ligar rapidinho, se der, para saber se a grana vai bem, se a fome vai bem, se os pais recém-nascidos precisam conversar sobre o que quer que seja. Apoio é contar sua experiência sem decretar que ela representa o caminho correto. Afinal, é apenas mais uma experiência. Apoio é ajudar a mãe ser a mãe que ela quer ser para o filho dela. Apoio é facilitador, representando respeito e cuidado. Apoio não caminha junto com a satisfação pessoal, com o desejo de visitar um recém-nascido. Apoio vem antes. Ele vem antes da saudade, antes da curiosidade, apoio é saber a hora de se apresentar como visita, de pedir que os pais levem o bebê para ser visto. Apoio, repito, é ouvir.

Uma rede de apoio para chamar de sua

Desde que me tornei mãe, tenho refletido muito sobre esse apoio. Uma antiga amiga, ainda que distante, sempre manda mensagens, como “se precisar estarei aqui”, e sinto que isso é bem mais real do que algumas falas de pessoas que estão mais próximas. Essa amiga costuma me ler/ouvir, sem dizer o que tenho que fazer, sem dizer o que falta. Ela ouve e isso na maioria das vezes basta. As pessoas, generalizando, não estão preparadas para ouvir uma mãe. Elas querem estar presentes sem saber se a presença é querida. Não por maldade, mas porque às vezes somos levados a agir movidos a satisfazer apenas nossos próprios desejos, e nem nos damos conta disso.

Mas apoio é construir um rede de fibras trançadas de amor, cuidado e carinho para que a mãe possa repousar em paz com seu bebê. Apoio é abraçar a mudança na vida dos pais. Não basta estar ali, tem que regar as plantas e tirar as pragas que nascem em volta, para que o jardim da nova morada esteja leve, organizado.

Esse papo de que “nascemos sozinhos, morremos sozinhos” não cabe na vida de uma recém-parida. Gritamos por apoio, em silêncio, por comidas gostosas, por ouvidos abertos, por braços livres de vez em quando, por amor, por solidariedade. Se você sentir que pode, de alguma forma ajudar sua nova mãe conhecida, basta correr, ela mora naquele lugar. Só não chegue sem avisar. Mande ouvidos, beijos, mimos, chocolate e um conte comigo. Mais do que estar presente ou mandar presentes – é preciso acolher seu puerpério. É necessário aprender a respeitar a vez da mãe, deixando vestígios de carinho. É ajudar a vencer batalhas, respeitando a linha de frente que a mãe vivencia cotidianamente. A mãe precisa, você se esforça para prover da forma mais sensível. É simples e cheio de amor. Se você lida com sua puérpera assim, parabéns, você estará fazendo parte da sua rede de apoio!

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Profile photo of Caroline Lara

Faz parte da Equipe de Curadoria da Leiturinha, é formada em Psicologia e mãe do Caetano. Leitora compulsiva, é apaixonada em provocar emoção, despertar a fantasia, entreter e alegrar pequenos através da literatura. Acredita que quanto menor nosso tamanho, maior a criatividade!