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As recompensas funcionam?

por | mar 7, 2018 | 5 Comentários

Recompensas: dar ou não dar?

A criança faz a maior bagunça com os brinquedos, espalha todos pela casa e, depois da brincadeira, nada de querer guardá-los. Após muito insistir e conversar, a mãe ou o pai, em uma última tentativa, oferece uma recompensa em troca da ajuda do pequeno. Um brinquedo, um passeio, algumas horas a mais de televisão ou de videogame ou, até mesmo, aquele prato especial que o filho tanto adora. Tentada e motivada pela possibilidade de receber o presente, a criança, então, ainda que a contragosto, decide colaborar com a arrumação. Possivelmente, você já passou por isso ou já presenciou alguma situação semelhante.

Não é raro que pais e mães recorram às recompensas no momento de convencer os pequenos, seja a arrumar o quarto, a ir ao dentista, a comer toda a comida, a tomar banho ou a ajudar em alguma tarefa. Muitas vezes, essa é uma alternativa, de fato, efetiva. Mas será que as recompensas são benéficas para o desenvolvimento dos pequenos?

Incentivo X Condicionamento

Assim como outros pontos na educação dos filhos, as recompensas dividem opiniões. De um lado, pais, mães e especialistas adeptos de métodos como o quadro de incentivo infantil, acreditam que a técnica é um estímulo e que ajuda os pequenos a compreenderem que tudo na vida tem consequências e que as coisas devem ser conquistadas. Por outro lado, tem quem acredite que as recompensas dificultam o desenvolvimento da autonomia da criança, podendo, ainda, conduzir a um conformismo e alienação dos reais motivos pelos quais se deve fazer determinadas coisas.

Para Sarah Helena, mãe da pequena Cecília, de 1 ano e 9 meses, psicóloga e curadora na Leiturinha, “recompensas são um tipo de reforçador do comportamento, porém, é preciso ter muito cuidado com o que se tornará uma recompensa, para não criar uma relação de dependência entre um e outro (por exemplo, só vou lavar a louça se eu ganhar X coisa). Reforçadores naturais se diferem daqueles que dependem de coisas materiais ou recompensas artificiais. Por exemplo, ao arrumar seu quarto, a criança pode sentir-se feliz por estar em um lugar organizado e em perceber que fez a coisa certa, já que é responsável pelo ambiente em que vive, mas primeiro isso deve ser algo de valor para esta criança – o que não se constroi com recompensas, mas com muita conversa e escuta, de acordo com cada família. Como alternativa aos reforços artificiais ou recompensas, a disciplina positiva aponta para a necessidade de uma educação pautada no exemplo e no respeito mútuo, levando em consideração as fases do desenvolvimento de cada criança.”  

Com a palavra, a família!

Instagram_Leiturinha

Para entender a opinião de pais e mães e como essa prática é aplicada no dia a dia das famílias com os pequenos, nós fizemos uma pesquisa em nossas páginas do Facebook e do Instagram. Das 2.099 pessoas que participaram da enquete que realizamos, 71% das pessoas responderam que acreditam que as recompensas funcionam na educação das crianças, contra 29% que não acreditam nessa técnica. Confira alguns depoimentos que recebemos do público em relação ao uso de recompensas na educação dos pequenos:

Depende. Há crianças que aceitam bem estímulos externos e reagem positivamente. Porém, tenho percebido que cada vez mais alguns grupos de crianças, talvez por estarem cheias de tudo, esse estímulo não age como reforço. Numa sociedade onde a falta é cada vez mais tamponada, seja com informações ou coisas, fica cada vez mais difícil manter esse tipo de reforço. – Patricia Martins Dos Reis, no Facebook.

Acho que depende. Se algo for muito crítico, acho que não faz mal e ajuda, mas não concordo em recompensar por tudo que faz. Minha filha estava muito agressiva. Então, compramos o painel do incentivo e ajudou muito para ela entender que bater tem consequências e todo mundo perde. Se for sem chantagens e em situações críticas, onde já tentamos outras coisas e não funcionou, de forma leve acho que não faz mal algum, tudo precisa de leveza. – aninhats, no Instagram.

Não acho coerente recompensar a criança como forma de motivar para cumprir com suas responsabilidades (tarefas, arrumar cama, brinquedos, dentre outros). Vejo isso como algo natural, pois vai realizar algo para seu próprio benefício. O que vejo é que posso mostrar os efeitos ruins de não fazer e ir explicando (claro, que isso é trabalhoso). Estaremos reproduzindo uma sociedade em que o justo é compensatório ou receber um pagamento por qualquer coisa que fazemos… Tenho filho e não faço promessa compensatória por algo que ele precisa aprender ser natural na dinâmica familiar e social. – rosenaldoemiguel, no Instagram.

Acho que a recompensa deveria ser um passeio. Acho que dar presentes contribui para que a criança seja “interesseira”. E digo mais, acho que as crianças precisam aprender a fazer as coisas por serem o certo e não para ganhar recompensas. – Claudia Rocco, no Facebook.

A recompensa (reforço positivo) não, necessariamente, deve ser feita com algo material (presente), mas com carinho e atenção, empolgação e emoção. Uso a recompensa nas atividades da escola. Quando faz com perfeição, ela recebe aplausos e beijinhos. Quando erra ou não faz direitinho, corrijo com carinho. O estímulo positivo a deixa muito feliz e satisfeita em agradar a mãe. Hoje ela faz pela recompensa imediata: deixar a mãe feliz, mas com o tempo isso imprimirá nela o compromisso de estudar POR ELA… – remamanuteus, no Instagram.

Estou passando por uma fase bem difícil aqui, meu pequeno de 8 anos não escova mais os dentes, não arruma a cama e não se preocupa com seus pertences. Já tirei videogame e computador, agora tive que tirar os desenhos. Mas não concordo com o fato de ter que recompensá-lo por fazer coisas que são sua obrigação, como sua própria higiene. Essa difícil arte de educar não tem certo ou errado, e sim cada um segue seu método. Queria que ele fizesse as coisas por comprometimento e responsabilidade, não porque quer algo em troca, apenas minha opinião. – fabyanne_amaral, no Instagram.

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Escrito por Ana Clara Oliveira
Jornalista e editora do Blog da Leiturinha, é fascinada por tudo que envolve o mundo da leitura, da educação e da infância. Acredita que as palavras aproximam pessoas, libertam a imaginação e modificam realidades. Gosta de escrever, viajar e aprender sempre.
Livros selecionados por faixa etária, todo mês na sua casa. Saiba Mais.
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5 Comentários

  1. Vanusa lima torres

    Gostei muito! Dessas dicas, e conselhos! Tenho uma filha de 1 ano e 3 meses, e com certeza vou tentar ser a mais precisa possível com ela! Desejo muito educar minha pequena da maneira certa e ensinar tudo que for possível, para sua educação e formação! Ja estou comprando livros de acordo com sua idade! E por ai começar outros métodos daqueles que deve ser de berço!

    Responder
  2. Marcela Leite Torres

    Acredito que a recompensa em certas situações funcionam sim, mas claro, tudo com muita moderação e consciência, não acredito que a criança deva ser recompensando por coisas que são deveres como: arrumar seus brinquedos… escovar os dentes… tomar banho… coisas básicas do dia a dia, recompensar somente em casos esporádicos, onde, os pais sintam a necessidade de um estímulo maior. Mas tudo que se refere a educação é muito complexo, e não vem com manual… mas que sempre façamos algo, certo ou errado o importante é nunca desistir dessa difícil missão. Abraços… e Boa Sorte a todos!!!
    Marcela Torres

    Responder
  3. Bruno Farid

    A recompensa deve acompanhar a maturidade da criança em entender o que deve executar. Até por volta dos dois anos, é possível usar recompensas sem impacto financeiro, embora agradáveis para a criança, a exemplo de um passeio, até porque é uma oportunidade para todos a interação e desenvolvimento da criança. Por volta dos quatro anos, a criança deve entender que as ações negativas podem voltar contra si, sendo o benefício delas mesmas a grande recompensa.

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  4. GISLANE APARECIDA DE OLIVEIRA

    Gostei muito da matéria!

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  5. Saulo

    Reconpensa sempre vai funcionar mas a questão e qual o valor que se está ensinando ao filho(a). A criança vai assossiar que sempre que ela tiver uma conduta correta ela será recompensada. A vida real não bem assim! Hoje já vemos uma quantidade enorme de millenials nas empresas esperando serem recompensados por aquilo que são pagos para fazer onde deveriam ser recompensados ou promovidos por algo a mais que fizeram. Eu não concordo com recompensar os filhos em nenhuma situação. É muito mais fácil e cômodo oferecer a recompensa a criança para que ela aja corretamente do que investir tempo para ensinar e esclarecer o que é certo e errado. Outra questão é que muitos pais tb esperam essas recompensas. Pra mim o mundo está muito doente nesse aspecto, triste!

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