O primeiro contato das mulheres com a maternidade se dá ainda nos primeiros anos de vida. A boneca, brincar de cozinhar, ajudar as mulheres mais velhas no cuidado com os bebês, com a casa. Tudo indica o que parece ser nossa real contribuição para o mundo, o manual de instruções já está enraizado em nossa criação.

Mas ao crescer, notamos que, apesar de todo o preparo, maternidade é a função mais subestimada que existe. É confrontar todos os dias pais e não pais, amigos e desconhecidos, que acreditam saber mais sobre os cuidados da criança do que o próprio cuidador.

Ser mãe jovem é mais fogo ainda.

O fardo da mãe jovem

Há algum tempo, era comum que nossas avós tivessem muitos filhos, ainda bem jovens. Isso porque casavam muito cedo, o preparo desde os primeiros anos de vida para os cuidados com a casa eram reais, era a função delas.

Poucas eram as que tinham oportunidade de estudar, mas hoje o cenário é outro.

Mesmo brincando com bonecas, as meninas aprendem que podem almejar outros encargos. O estudo possibilita essa amplidão e, por causa disso, vemos cada vez mais mulheres assumindo cargos que antes eram predominantemente masculinos.

Mas e as que, mesmo assim, decidem priorizar a maternidade?

É certo que não há o que substitua o conforto da independência financeira. Ser mãe antes da “idade certa” apenas leva a um caminho diferente, e talvez mais longo, para que isso seja conquistado.

Não deixamos de sonhar, nem de seguir com nossas vidas.

Mas os olhares não medem esforço. A escolha de assumir tal responsabilidade é tida como fracasso. É por isso que a maternidade é tão subestimada. Não veem a grandeza na escolha, na coragem, na atitude e no amor, enxergam a mãe como um ser resignado, pois a maternidade marca o limite da vida da mulher. Atingiu a maternidade tão cedo? Esse é o ponto final para qualquer outro mérito que poderia nascer.

Por esse motivo, a carga das mães jovens é ainda maior. Mães já carregam, naturalmente, a culpa pela opinião dos outros. Enquanto nossa cria nos aceita e ama, assim como somos, todos os olhares ao redor apontam as falhas. Mas com as jovens, essa situação tende a crescer, pois não há barreiras ao apontar falhas. Enxergam essa mulher como um filhote perdido e inexperiente, com a cria nos braços pedindo socorro. Mas a ajuda nem sempre nasce com a boa intenção que deveria, mas com o ar de superioridade e, principalmente, de pena.

E é a pena que dói, pois não é necessária. Não pode a mãe jovem estar plena com sua escolha? Quem determinou que há um caminho correto a seguir?

A hora certa para ter um filho é a hora em que acontece

Não há preparo maior do que a prática. Não há tempo certo se existe vontade. O lugar, a família, o momento ideal para o nascimento de uma criança é onde nasce, simultaneamente, o amor.

Quando se decide ser mãe jovem, nasce o sentimento da pressa. Precisa-se construir, sem ensaios, um caminho. Não há trilha pronta, aprendemos com a cria. Crescemos, ouvimos, erramos e acertamos junto com o filho que ainda está nos primeiros contatos com o mundo. A beleza é essa, a mãe jovem também está. Tudo encanta e tudo é feito de sonho, mas o filho nasce com o propósito de mostrar-nos como construir, e depressa, pois há um mundo que cobra dessa mulher o dobro de resultados. É necessário crescer, construir um futuro para si e para a cria. O legado sequer foi planejado, simplesmente precisa acontecer, pois não há tempo. A estabilidade precisa nascer, pois são muitas as cobranças, interiores e exteriores. A mãe jovem perpassa tudo isso, o que importa é ver o brilho nos olhos daquela criança o sentimento de orgulho, de vencer, todos os dias.

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Sou Victória Silveira, escrevo como convidada para o Blog da Leiturinha e, no amanhecer dos meus 19 anos, acabei por me reconhecer como escritora, amante das Artes e mãe da Helena.