Amamentação em livre demanda: o que isso realmente significa?

por | ago 2, 2019 | 3 Comentários

Anos atrás, lá na época que nós nascemos, as mães já saíam do hospital com uma receita pronta: amamente seu bebê de três em três horas, reveze os dois peitos. Dez minutos em cada senão o bebê pode não adquirir os nutrientes necessários e seu peito vai empedrar. Bom, o tempo passou, a ciência evoluiu e, pelo bem das mães e dos bebês, as referências hoje são outras. Com a amamentação em livre demanda cada vez mais em pauta, podemos considerar quase um retrocesso estabelecer horário de mamada. Mas, afinal, o que isso significa para mãe e bebê?

O que é amamentação em livre demanda?

Nos primeiros dias de vida, o bebê ainda está estabelecendo o contato com o mundo e isso é cansativo e duro para ele. Além disso, dentro da barriga era extremamente confortável e ele passava a maior parte do seu tempo dormindo. Por isso, é comum que precisemos acordá-lo para amamentar regularmente durante essa primeira semana. No entanto, com o passar das semanas, se ele estiver bem, ganhando peso e altura dentro dos parâmetros esperados, está tudo certo e ele é quem irá regular suas mamadas.  

É aí que entra a amamentação em livre demanda, que nada mais é do que mãe e bebê entrarem em sintonia de tal forma que o bebê regula suas mamadas de acordo com sua necessidade. Afinal, é preciso lembrar que dentro do útero, o bebê recebe alimento e oxigênio o tempo todo. Quando nasce, a temperatura muda, ele precisa sinalizar quando quer comer e todo o processo orgânico de digestão se inicia. Essa árdua mudança é pesada para mãe e bebê. Aí se iniciam os pitacos dizendo que o bebê precisa disso ou daquilo, mas, nós mães que já passamos por isso ou estamos passando, sabemos: a conexão entre nós e nosso rebento diz mais do que qualquer conselho. E nada mais coerente do que fornecer esse alimento ao mínimo sinal do bebê, ao menos tentando se aproximar da vida intra-uterina. Claro, quando esse cenário for bom – e possível – para mãe e bebê.

Meu “case” de sucesso!

Carol nutrindo seu pequeno de leite e muito afeto.

Quando Caetano nasceu eu mal conseguia conversar com ele, o pós-parto foi extremamente difícil para mim e para ele, mas, tudo o que eu conseguia fazer naquele momento era tentar deixá-lo o mais confortável possível. Ao um pequeno sinal de desconforto, lá estava eu quebrando as barreiras teóricas, os palpites familiares e dando o peito para ele. Ficava tudo bem. Sempre, o melhor remédio para Caetano era meu peito. Foi assim que nos três primeiros meses de vida Caetano quase triplicou de peso e se tornou a criança mas alegre que eu já tinha visto. No meio desse processo existiram mais dificuldades do que sucesso. O meu peito rachou na primeira mamada, eu precisei de muito auxílio para que ele aprendesse a famosa “pega correta” e ele ainda apresentou APLV (alergia a proteina do leite de vaca), o que mudou toda a minha alimentação e tornou essa fase ainda mais restrita. 

 

Mas voltando ao bem que as novas pesquisas e informações científicas nos trazem, esse velho processo de devoção que teoricamente a amamentação representa é algo quase ultrapassado (a não ser pelo desserviço que o velho boca a boca ainda causa). Hoje, sabemos que uma mãe que amamenta não precisa se privar de comer certas coisas (a não ser em casos especiais como APLV), que a mãe que amamenta pode sim ter vida social e trabalhar. A amamentação em livre demanda fez muito bem para mim e para Caetano, ainda que tenha precisado recusar a me curvar aos comentários alheios como “vai mamar de novo?!”. Eu e ele somos pares extremamente conectados e bem alimentados: ele de leite e eu de afeto. 

Com a volta ao trabalho, a amamentação em livre demanda passou a ocupar apenas parte do nosso dia e a bombinha de leite passou a ser meu melhor acessório. No fim do dia e durante a noite, ela retorna e Caetano me acessa quando precisa: seja de alimento, de afeto ou conforto. Seguimos assim até quando for bom para ele e para mim. Dentre os benefícios empíricos e científicos que ressalto da livre demanda estão: a melhora da produção de leite; o fortalecimento da conexão entre mãe e bebê e a saúde da cria! Como a amamentação exclusiva é recomendada pelo Ministério da Saúde até os seis meses de idade, é importante que esse bebê tenha seu alimento apenas do seio da mãe.

O resultado da minha experiência (que ainda está sendo experienciada) foi: um bebê saudável, bochechudo, feliz e uma mãe satisfeita com um peito maior que o outro (não, eu não revezo os lados) muito feliz e cansada.

Livre para quem? 

Como tudo na maternidade, a amamentação em livre demanda está longe de ser só flores. Sou extremamente contra à criação de bebês pautada em regras rígidas e horários inflexíveis. Mas essa liberdade de viver e estar bem também deve ser acessada pela mãe. Amamentar é difícil, dói, cansa, nos priva de sono e de eventos sociais. Nesse processo é importante que também olhemos para nossa individualidade, a rede de apoio é extremamente importante para o sucesso da amamentação em livre demanda. Para produzir leite, a mãe precisa descansar, ter momentos de relaxamento e contar com a ajuda do seu ciclo familiar e social. Na medida que o bebê cresce e vai conquistando sua dependência relativa, tudo isso vai ficando mais fácil e o bebê vai construindo sua rotina de amamentação que, consequentemente, muda o ritmo e, depois do primeiro ano, se torna complementar.

Além disso, a boa informação está sempre a favor de mãe e bebê. Hoje existem diversos estudos sobre o tema além de grupos de auxílio e em pró do aleitamento materno. Um que foi extremamente útil para mim e Caetano foi o GVA (Grupo Virtual de Amamentação). E o melhor conselho é: siga seu instinto, fique confortável em amamentar e esteja conectada ao seu bebê. O sucesso mora aí. 

Leia também: 

Categorias:
0 - 3 | Amamentação | Bebê | Idade
Escrito por Caroline Lara
Líder da Equipe de Curadoria da Leiturinha, é formada em Psicologia e mãe do Caetano. Leitora compulsiva, é apaixonada em provocar emoção, despertar a fantasia, entreter e alegrar pequenos através da literatura. Acredita que quanto menor nosso tamanho, maior a criatividade!
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3 Comentários

  1. Avatar

    Meu pequeno sempre mamou em livre demanda, não me arrependo disto, hoje ele está com 2 anos e 2 meses, e ainda não consigui tirar do peito ele mama a hora que quer, pois não estou trabalhando, preciso de dicas para conseguir tirar ele do peito.

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  2. Avatar

    Estou no terceiro filho e todos eles foram criados com amamentação em livre demanda, a pediatra ainda insiste que tem que mamar de 3 em 3 horas eu digo ok para não discutir e mantenho a minha rotina com meu pequeno. Ele está saudável e engordando. As minhas outras filhas mamaram até 2 anos e meio, não é fácil desmamar, mas a melhor solução q achei foi colocar um curativo no bico do peito e fingir que estava dodói, elas largaram e não pediram mais.

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  3. Avatar

    Eu estou com uma princesa de 1 mês e aqui está sendo livre demanda é quando ela quer sempre.. Tenho uma de 6 anos que infelizmente por palpites familiares acabei dando fórmula mas Ana Beatriz esta engordando e saudável. Então a mamãe aqui vai continuar tbm até quando quiser…

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