Quem nunca contou uma mentirinha que atire a primeira pedra! Seja para preservar sua intimidade, para evitar um constrangimento ou até para ser educado, todo mundo mente em algum momento da vida.

Normalmente, as crianças começam a mentir por volta dos dois anos de idade. Mesmo quando ainda não falam, é possível perceber que elas mentem quando apontam para os objetos ou para outras pessoas.

Para que serve uma mentira?

Assim como os adultos, as crianças mentem para não decepcionar alguém querido, para conquistar algo que desejam, para fugir de responsabilidades, chamar a atenção dos pais, impressionar alguém ou para evitar um castigo.

No caso de crianças muito pequenas, a mentira também pode representar certa confusão entre realidade e imaginação, aparecendo como resposta a algo que elas não entenderam ou interpretaram errado. Por isso, antes de qualquer coisa, é importante estar atento para ter certeza de que a mentira foi intencional, com o intuito de obter algum ganho pessoal.

Além disso, as mentiras podem ser formas de esconder angústias e frustrações, ou ainda reproduções do comportamento dos adultos, já que somos nós os modelos e as crianças tendem a copiar aquilo o que aprendem.

Pais, vocês são o exemplo!

Os pais têm um papel muito importante na hora de demonstrar honestidade. São eles que têm a maior influência quando se trata de instalar um compromisso com a verdade e devem ensinar às crianças desde cedo sobre a importância de ser honesto.

É importante deixar claro que mentiras não podem ser usadas como recurso para se livrar de alguma situação e que mentir não pode ser uma saída conveniente em certas ocasiões.

Como lidar com as mentiras?

1. Dê o exemplo. Os pais não devem esquecer que as crianças observam tudo aquilo o que os adultos fazem e, normalmente, agem de forma semelhante. Então muito cuidado! Não vale dizer que é errado mentir e ao mesmo tempo fingir que não está disponível para não ter que atender uma ligação indesejada ao telefone.

2. Mantenha a calma. A criança pode se sentir mais insegura e amedrontada se perceber que os pais estão nervosos, e assim ela certamente terá mais dificuldades para assumir o erro.

3. Não crie armadilhas para contradizer a criança. Se perceber que seu filho está mentindo, fale abertamente com ele sobre o assunto. Por exemplo, se os pais sabem que a criança não fez a tarefa da escola, ao invés de perguntar: “Você fez a lição de casa?”, podem dizer: “Vi que você não fez a lição de casa. O que aconteceu?”.

4. Explique as consequências de não falar a verdade. A criança precisa entender que ao contar uma mentira pode quebrar a confiança que os outros têm nela.

5. Esteja preparado para ouvir verdades nem sempre boas ou diferentes daquelas que você gostaria. A criança precisa se sentir segura para falar a verdade.

6. Não dê punições. A criança pode chegar à conclusão de que uma mentira vale a pena, desde que ela suporte o castigo. Algumas crianças podem ainda pensar em formas mais elaboradas de mentir, para evitar serem descobertas.

7. Dê à criança a oportunidade de corrigir o erro. A possibilidade de reparar um dano normalmente é muito mais eficiente do que um castigo e certamente vai contribuir de maneira positiva para o amadurecimento emocional da criança.

8. Ajude a criança a pensar em outras possibilidades ao invés de mentir. Os pais podem auxiliar os filhos a resolverem seus conflitos buscando sempre soluções verdadeiras para eles.

9. Não chame a criança de mentirosa e nem chame a atenção na frente dos colegas ou de outros adultos. (Escrevemos outra matéria aqui no Blog da Leiturinha sobre como chamar a atenção da criança em público)

10. Cuidado para não invadir a intimidade da criança. Algumas vezes os pais acusam os filhos de mentirem porque eles não querem falar sobre determinado assunto. Ter segredos é permitido e a privacidade deve ser respeitada. O importante é que os pais se mostrem disponíveis e acolhedores, assim, quando as crianças se sentirem prontas, poderão falar sobre esses assuntos se quiserem.

Leia também:

Profile photo of Flávia Carnielli

Mãe da Maria Clara, mestre em psicologia clínica, especialista em psicologia perinatal e formada em psicoterapia infantil. Carinhosamente, contribui com seu conhecimento aqui no Blog, à convite da Leiturinha.