“A linguagem, no brinquedo, significa sempre necessidade de libertação e criação. Se é no real que a criança procura os elementos constitutivos de sua imaginação, suas histórias, embora fantasias, não deixam de ser expressão de uma realidade possível. A imaginação da criança trabalha subvertendo a ordem estabelecida pois, impulsionada pelo desejo e pela paixão, ela está sempre pronta para mostrar uma outra possibilidade de apreensão das coisas do mundo e da vida.” (SOUZA, 1994, p.149)

Dos 3 aos 6 anos, o imaginário dos pequenos está a mil! O mundo do faz de conta permeia a realidade de tal forma que, em alguns momentos, se fundem. Assim, os pequenos se ocupam das brincadeiras de forma intensa e séria – reproduzem o mundo à sua volta e o compreendem a partir daí. Além disso, esta é uma fase de intensa socialização e preparação para a alfabetização, em que, normalmente, a vida escolar já é parte da rotina. O aprendizado continua intenso, os neurônios a mil, assim como o corpo todo, basta notar como são inquietos e adoram brincadeiras que envolvem movimento e ação! Muita energia e criatividade para colocar em prática! Com tanta ação, como prender a atenção dos pequenos para os momentos de leitura? Vamos ver a seguir!

Benefícios da leitura para crianças de 3 a 6 anos

Além de todos os benefícios para o desenvolvimento infantil que a leitura proporciona desde os primeiros dias de vida, nessa fase a literatura também:

– Colabora com a preparação para o processo de alfabetização infantil.

– Ajuda a minimizar problemas comportamentais, como agressividade e hiperatividade.

– Ajuda a criança a perceber e a lidar com seus sentimentos e emoções.

–  Estimula a curiosidade, a imaginação e a criatividade.

– Desenvolve a atenção, a concentração, o vocabulário, a memória e o raciocínio.

– Desenvolve a empatia (capacidade de colocar-se no lugar do outro).

Apoia a educação e criação dos pequenos. Com uma linguagem leve, lúdica e adequada ao imaginário das crianças, os livros infantis são ótimas ferramentas no momento de abordar assuntos mais sérios e complicados ou, até mesmo, de auxiliar na rotina dos pequenos.

Como fazer?

– A mediação nesta fase do desenvolvimento ainda é essencial, pois o processo de alfabetização se dará um pouco mais tarde. Assim, as dicas de leitura para bebês continuam válidas aqui, como: entonação de voz; uso de objetos para incrementar o momento da leitura (fantoches, por exemplo); gestos e expressão corporal.

– Porém, diferentemente de crianças muito novinhas, nesta fase do desenvolvimento, os pequenos já apresentam maior autonomia para, por exemplo, escolher o próprio livro. Portanto, que tal uma visita à biblioteca com seu pequeno ou criar com ele um cantinho da leitura em casa com seus próprios livros?

– Nesse momento, as crianças também interagem mais ativamente com o livro infantil e a leitura, podendo, inclusive, recontar a história depois para toda a família, incluindo nela elementos da sua própria imaginação, o que deixará tudo ainda mais divertido! Assim, a criança passa de ouvinte a mediador da leitura, ainda que não domine a palavra escrita!

– Em uma rotina acelerada, pode ser difícil encontrar tempo para estabelecer uma rotina de leitura. Uma dica é levar o livro para os momento de brincadeiras ou, substituir um programa de TV por uma boa história, por exemplo.

Ler antes de dormir é outro hábito que, se mantido, tem muito a contribuir tanto para melhorar a relação dos pequenos com os livros, quanto para estreitar as relações familiares.

– Utilizar livros de imagem. A ilustração ocupa um lugar tão importante quanto o texto em livros destinados a crianças. Através das imagens, o leitor dessa idade, passa a conquistar o que podemos chamar de autonomia literária, não precisando da mediação total do adulto para construir ou compreender a narrativa, de forma que por meio da linguagem visual ele percebe a sequência de elementos criando uma representação mental e os comparando com sua realidade.

Principais dúvidas na hora de ler para pequenos desta faixa etária

Como trabalhar/desenvolver a imaginação dos pequenos através dos livros?

Imaginar e fantasiar são comportamentos que as crianças fazem naturalmente, a partir de elementos da vida real e de seu repertório. Segundo Vygotsky, citado por SOUZA (2005, p.148) “Na infância, a imaginação, a fantasia, o brinquedo não são atividades que podem se caracterizar apenas pelo prazer que proporcionam. Para a criança, o brinquedo preenche uma necessidade; portanto a imaginação e a atividade criadora são para ela, efetivamente, constituidoras de regras de convívio com a realidade.” Assim, brincar é coisa séria, e o espaço da imaginação e da criatividade precisam ser preservados sempre.

E se meu pequeno sentir medo de algum livro infantil?

Quando os pequenos demonstram certa rejeição por algum livro, ou sentimentos como tristeza, raiva ou medo, é importante respeitar isso e até usar a seu favor, aproveitando do que o livro suscitou para conversar com seu pequeno sobre seus sentimentos. Mas não deixe de oferecer o livro novamente em outro momento. Ter a oportunidade de se reaver com opiniões e sentimentos passados, de forma a observar e reafirmar mudanças em si mesmo, contribui para o amadurecimento de cada um. Dando “tempo ao livro”, seu conteúdo pode ser melhor apreciado e, futuramente, fazer novos ecos dentro de nós.

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Profile photo of Ana Clara Oliveira

Jornalista e autora no Blog da Leiturinha, é fascinada por tudo que envolve o mundo da leitura, da educação e da infância. Acredita que as palavras aproximam pessoas, libertam a imaginação e modificam realidades. Gosta de escrever, viajar e aprender sempre.