Debaixo d’água tudo era mais bonito
mais azul mais colorido
só faltava respirar
Mas tinha que respirar…
(Arnaldo Antunes)

Quando olhamos ou pegamos no colo um recém-nascido, a primeira coisa que nos vem à cabeça é: frágil. Pois é a verdade, os bebês são os mais frágeis dos mamíferos ao nascer. A dependência é tanta que é quase necessário reproduzir as condições uterinas para que o bebê tenha suas necessidades supridas pautada no conforto necessário. É a chamada exterogestação.   

Ou seja, é necessário que os pais cuidem dos seus filhos por um período longo até que eles atinjam sua independência e possam seguir seguramente sozinho. Considerando as especificidades, principalmente pelos três primeiros meses de vida, se faz preciso compreender as necessidades que temos de ao menos tentar propiciar esse ambiente para que o bebê possa se sentir acolhido e seguro para se desenvolver plenamente.

O ambiente adequado para o recém-nascido

No útero, o bebê tinha seu alimento disposto em livre demanda, a posição fetal era acolhida por um ambiente apertado, porém extremamente confortável em textura e temperatura. O movimento do corpo da mãe cuidava de produzir o balanço necessário. Os sons vindo do corpo da mãe povoavam o útero configurando a melodia mais ressoada pelas mães de bebês pequenos: “shhh shhh”. 

Não é à toa que quando ligamos o aspirador ou colocamos o bebê conforto dentro do banheiro na hora do banho, os bebês automaticamente se calam e adormecem. O carro também configura um ótimo “calmante de bebês”, o ruído do motor, unido ao balanço das ruas, faz com que os pequenos caiam no sono prontamente. 

Sabendo de tudo isso, podemos concluir que reproduzir essas condições na medida certa, pode fazer da adaptação dos bebês ao planeta mais tranquila. Tanto para os pais, quanto para o próprio bebê.

Exterogestação: 7 dicas para reproduzir o ambiente uterino e acalmar seu bebê

1. Tirando o incômodo da gravidade

Dentro do útero não existe gravidade. Dentro da mãe, o peso das coisas, literalmente, não existe. Nem o peso do nosso próprio corpo. Por isso, no ambiente intrauterino nenhum lado do corpo do bebê recebe todo o peso dele, ele simplesmente flutua. Dessa forma, o bebê poderá chorar mais ou ficar ainda mais nervoso quando colocado de costas. Sendo assim, quando estiver em um momento que precisar acalmar seu bebê, tente segurá-lo de lado ou de bruços. Mas lembre-se: A OMS (Organização Mundial de Saúde) não recomenda, por risco de morte súbita, que o bebê seja colocado para dormir na cama de lado ou de bruços, e sim de barriga para cima. Por isso, essa técnica deve ser usada apenas quando o bebê estiver no colo.

2. Alimentação em livre demanda e sucção não nutritiva

Dentro da barriga, geralmente, as mãos do bebê ficavam perto do rosto, facilitando que ele sugasse seu próprio dedinho. Além disso, ele era alimentado em livre demanda.  Portanto, praticar a amamentação em livre demanda faz bem para o bebê, porque além de suprir suas necessidades nutricionais adequadamente, ele é confortado pelo contato com a mãe. E mesmo que os bebês não estejam se alimentando durante a mamada, não é prejudicial deixá-los sugando o peito: isso é sinônimo de conforto, aconchego e vínculo. 

3. Balanço, colo e sling

Colo não estraga o bebê, pelo contrário, ele ajuda a amenizar desconfortos naturais desses três primeiros meses de vida. Acolher seu bebê não o fará mal, então não hesite em dançar – aposte em colocá-lo em um sling ou canguru – e balançar… Dê tapinhas leves e rítmicos no bumbum do seu pequenino. Balance junto com ele em uma cadeira de balanço, caminhando com ele no colo ou no sling. Redes ou berços que balançam também podem ser muito benéficos.

4. Sons e canções

O “shhhhh”, aquele sonzinho que imita um chiado deve durar aproximadamente 30 segundos e ser feito toda vez que você sentir necessidade de acalmar o bebê. Há também aplicativos que imitam os sons do útero. Eles funcionam. Além disso, você pode experimentar cantar canções de ninar ou até mesmo apostar em uma playlist que agrade seu bebê.

5. Faça um pacotinho com seu bebê

No útero, o bebê está o tempo todo sob o toque. Além disso, dentro da barriga, é como se ele estivesse embrulhadinho. Por isso, quando não der para ficar com seu bebê no colo, experimente fazer um casulinho utilizando uma manta. Certamente ele se sentirá acolhido e ficará mais calmo. Mas lembre-se, certifique-se que o cueiro ou a manta estão bem presos. Um bebê nunca pode ser colocado para dormir sozinho próximo a um pano solto. Além disso, é importante que ele fique dentro desse “charutinho” pontualmente. Desfaça a amarração periodicamente para que ele possa se espreguiçar e entrar em contato com seu próprio corpo.

6. As “cólicas” e o choro 

Sempre acolha o choro do seu bebê. Isso significa que não é aconselhado deixá-lo chorar por muito tempo nesses primeiros meses de vida. Nesta etapa, o choro sempre significa algo. Isso porque nos três primeiros meses, os bebês não são capazes de chorar com o fim de “manipular” ou sequer fazem manha. O choro sempre é a representação de uma necessidade, seja ela de alimento, afeto ou aconchego. As chamadas “cólicas” muitas vezes podem estar associadas a desconfortos gerais. Por isso, aposte no aconchego do seu peito.

7. O banho e o sono

Faça banhos sensoriais, aqueles com chás e ervas terapêuticas como a camomila. Bolsinhas quentes também são muito eficazes para aliviar os incômodos da vida fora do útero. Prefira aquelas de tecido que são aquecidas no microondas ou à ferro de passar, elas não apresentam o risco do líquido ser derramado. Faça regularmente banhos de balde no seu bebê. Eles “imitam” o ambiente intrauterino e são ótimos calmantes. Além disso, assegure que seu bebê tirará as sonecas necessárias para descansar. Isso fará com que ele se mantenha calmo. Os bebês menores, geralmente, precisam dormir de três em três horas. Caso o cansaço se acumule para a noite, acontecerá uma espécie de “efeito vulcão” e o bebê ficará ainda mais irritado, consequentemente, não conseguirá adormecer quando mais precisa, ficando choroso e muito, mas muito, nervoso. 

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Faz parte da Equipe de Curadoria da Leiturinha, é formada em Psicologia e mãe do Caetano. Leitora compulsiva, é apaixonada em provocar emoção, despertar a fantasia, entreter e alegrar pequenos através da literatura. Acredita que quanto menor nosso tamanho, maior a criatividade!