A palavra vem carregada de medos e ressalvas. Mas para falar sobre isso com as crianças é preciso que pais, cuidadores e educadores saibam o que realmente significa, quais seus possíveis efeitos e como evitar que os pequenos passem por isso ou façam isso com outras crianças. Precisamos falar sobre bullying!

O termo vem da palavra inglesa bully que significa brigão, valentão. Bullying é, portanto, o ato de ser um “valentão”, ou seja, de humilhar, intimidar, ameaçar ou maltratar alguém de maneira repetitiva. Nos últimos anos esse tipo de violência tem ficado cada vez mais evidente. E as escolas são os ambientes em que esse tipo de ação mais aparece.

São inúmeros os motivos que levam as pessoas praticarem o bullying com as outras. Em alguns casos, a mesma pessoa que é alvo de bullying de um grupo, faz bullying com outras pessoas. Portanto ao abordarmos o assunto com as crianças temos que ter consciência que eles podem ser tanto vítimas quanto “valentões”. E isso não significa que eles sejam más, às vezes a origem dessa prática pode ser por insegurança da criança, que para se defender aponta os defeitos dos colegas. Por isso é importante a presença ativa dos pais e cuidadores que devem se ater ao comportamento dos pequenos.

“Tudo é bullying agora”

Desde a difusão do termo, essa frase ficou cada vez mais comum. Muitos pais e professores alegam que o que antes era considerado natural hoje foi problematizado. Isso não é uma verdade absoluta. Antes de mais nada, os adultos devem entender que nem tudo é bullying mesmo. Por exemplo, argumentações entre colegas de sala, discussões ou brigas não são. O bullying apresenta quatro sinais clássicos:

1. Intenção de ferir alguém;

2. Repetição da agressão

3. Presença de espectadores

4. Concordância do alvo sobre a ofensa

Além disso, apesar do termo ter se popularizado nos últimos anos, esse não é um fenômeno recente. Talvez lendo esses sinais você tenha se identificado e hoje saiba que passou por bullying na infância.

Preocupações

Isolamento da família e dos amigos, queda de rendimento escolar, desculpas recorrentes para não ir ao colégio, doenças psicossomáticas podem ser sinais de que o pequeno está  passando por uma situação complicada. Crianças com baixa autoestima e mais retraídas dificilmente tendem a reagir ao bullying e acabam se tornando um alvo dos valentões.

O que fazer?

Muitas crianças não conseguem pedir ajuda e enfrentar o medo ou a vergonha. Se seu filho estiver passando por isso e conseguiu te contar saiba que este já é um importante avanço. O próximo passo é fortalecer a autoestima da criança e mostrar que ela está em um ambiente seguro. Converse com a escola e explique a situação, eles devem zelar por um espaço de boa convivência e não podem deixar o problema passar.

Conversas constantes sobre respeito, tolerância e até autoaceitação podem ser a porta de entrada para que crianças e adolescentes entendam sobre a gravidade do bullying e que prejudicar uma pessoa não fará com que elas se sintam melhores. Os espectadores também devem ter consciência de seu papel no bullying. Ao assistir a cena eles estão endossando o comportamento do agressor. Um exercício comum é fazer uma dinâmica em que cada criança assume o papel da outra. A empatia é uma importante arma contra o bullying e deve ser praticada desde crianças pequenas.

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Jornalista e entusiasta do desenvolvimento infantil, acredita que brincar é sinônimo de aprendizado e felicidade para as crianças.