A chegada de um bebê revira a rotina da família e muda a vida e a forma como os pais se enxergam no mundo. Principalmente nos primeiro meses, é natural que a mãe se veja completamente tomada pelas responsabilidades com o filho. Afinal, aquele pequeno serzinho que acabou de chegar demanda muito carinho, cuidado e contato o tempo todo. Aí já viu né? Pensar em si mesmo se torna praticamente impossível e pequenas coisas como tomar banho, trancar a porta do banheiro, dormir uma noite inteira, fazer uma refeição completa e assistir um filme se tornam raridades. De uma hora para outra aquela mulher e aquele homem que antes eram filhos, marido, mulher, profissionais e amigos se tornam pais 24 horas por dia, sete dias por semana. 

No entanto, com o passar do tempo, embora não possamos dizer que as coisas fiquem fáceis, elas começam a descomplicar um pouquinho. Os pequenos vão se tornando mais independentes. 

Aí é a hora que, com o fim da licença maternidade, muitas mães voltam ao trabalho e, aos poucos, pai e mãe podem retomam sua rotina (quase) normal, com academia, estudos, profissão, happy hour e, em alguns casos, até mesmo viagens. Bom, mas nem sempre é assim… 

A linha tênue entre viver com os filhos e viver em função dos filhos

Ainda que as crianças cresçam, alguns pais e mães têm certa dificuldade e até receio em retomar o ritmo de suas vidas. Claro que tudo isso depende da situação de cada família. Em alguns casos, por exemplo, os pais precisam trabalhar em tempo integral e não contam com uma rede de apoio, o que dificulta com que eles possam se dedicar a outra coisa senão ao seu pequeno. 

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No entanto, é muito importante que os pais, em especial as mães que geralmente desenvolvem uma conexão mais intensa com os pequenos por conta da gestação e da amamentação principalmente, precisam fazer o exercício de pensar: estou vivendo com meus filhos ou estou vivendo para os meus filhos? Se dar conta da tênue linha entre viver com os filhos e viver em função dos filhos é importante tanto para os pais quanto para os pequenos. 

Mas como encontrar um equilíbrio? 

Quando pensamos em ter filhos, é impossível não pensar em toda a dedicação e responsabilidade que é educar uma criança. Mas por mais que isso possa demandar dos pais, isso não significa que eles precisam deixar suas personalidades, sonhos e vidas de lado. Claro que com a chegada de um pequeno, alguns planos precisam ser postergados e até repensados, afinal, agora você tem alguém ali que depende de você, financeira e emocionalmente. Isso não quer dizer que deixar práticas antigas ou sair de um trabalho seja algo negativo. A maternidade/paternidade é uma ótima oportunidade para nos reinventarmos como indivíduos e repensarmos nossa vida. No entanto, o exercício de lembrar que você é alguém para além do(a) pai/mãe é fundamental para que você não exagere na dose de cobranças, expectativas e superproteção

É preciso sempre lembrar que criamos filhos para o mundo e que em algum momento eles vão tomar seu rumo, assim como nós o fizemos quando éramos jovens. Assim, quando pai e/ou mãe deixam suas próprias vidas, profissão e sonhos de lado para viver exclusivamente a vida dos filhos, a relação pode se tornar pesada e até tóxica. Isso porque os pais podem se tornar controladores e transferir suas próprias frustrações para o filho, cobrando expectativas que não correspondem ao que a criança realmente é. 

Além disso, quando temos um hobby, uma profissão que amamos, amigos e tempo para cuidar de nós mesmos, exercer a maternidade e a paternidade se torna a algo ainda mais prazeroso! Por isso, dê todo o amor, cuidado, atenção, disciplina e presença que o seu filho precisa, aproveite o tempo juntos (pois passa voando!), mas não esqueça de quem você é para além da mãe ou pai. Isso, além de evitar frustrações posteriores e tornar sua vida e a relação entre vocês mais leves, vai te fazer uma pessoa completa e um exemplo para seu pequeno se inspirar! 

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Jornalista e editora do Blog da Leiturinha, é fascinada por tudo que envolve o mundo da leitura, da educação e da infância. Acredita que as palavras aproximam pessoas, libertam a imaginação e modificam realidades. Gosta de escrever, viajar e aprender sempre.